No regime presidencialista, o timoneiro é o presidente. É ele quem conduz o barco para o melhor ou pior destino. Os Estados Unidos seguiram o rumo determinado pela vontade de George Walker Bush, contra todos os protestos, e agora estão mudando de direção pela vontade de Barack Obama. A Venezuela caminha para um destino incerto, timoneada pelo megalomaníaco Hugo Chávez. O mundo fica sem saber para onde o fanático Mahmoud Ahmadinejad conduzirá o Irã. Congressos, conselheiros, imprensa e organizações internacionais, até com poder de veto, não conseguem desviar o rumo que eles determinam. Considerando que Lula conta com a aprovação da maioria da população, conforme mostram as pesquisas, quem acha que o Brasil não está caminhando conforme a sua vontade?
Esse fato não se restringe aos presidentes de países. Acontece com todos os que ocupam a principal posição de comando como governadores, prefeitos e presidentes de empresas e associações, de qualquer natureza. O destino do País, do Estado, do município e das organizações sempre será traçado por eles. Juscelino Kubitscheck mudou o Brasil com a construção de Brasília e com a implantação da indústria automobilística contra a vontade de muitos. Jânio Quadros, enfrentando a fúria dos parasitas do poder, deu uma vassourada na corrupção da prefeitura e do Estado de São Paulo, preparando-os para grandes administrações como as de Prestes Maia e Faria Lima na prefeitura e Carvalho Pinto no Estado. Bauru teve a grande fase de Alcides Franciscato, que deixou a marca do seu dinamismo. Por outro lado, quantas administrações desastradas já tivemos, tanto no País quanto nos Estados e municípios e que se repetem até os dias de hoje? E quantas empresas e clubes sociais e esportivos já tiveram magníficos períodos e grandes derrocadas, conforme aqueles que manejavam o seu leme e faziam valer a sua vontade?
Essa reflexão é resultado de matéria publicada na revista Exame, comentando uma pesquisa sobre a situação de saneamento das cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes. Essa pesquisa foi encomendada e analisada pelo Instituto Trata Brasil, uma ONG dedicada ao saneamento, que considerou a infraestrutura de fornecimento de água tratada e de coleta e tratamento de esgoto e o seu impacto na educação, na saúde e na economia. O resultado é apresentado numa relação decrescente de 79 municípios. Em primeiro lugar está Franca, seguida de Uberlândia, Sorocaba, Santos, Jundiaí, Niterói, Maringá, Santo André, Mogi das Cruzes e Piracicaba, que são as dez melhores. Bauru é a 37.ª. Belém (PA), Cariacica (ES) e Porto Velho (R0) encerram a lista como as piores. No percentual de abastecimento de água tratada, Bauru está entre as melhores, com 100%, mas no tratamento do esgoto está entre as piores, junto com Guarulhos. Também, e por essa razão, está entre as piores na relação de conformidade ambiental, que é o volume de esgoto tratado por água consumida.
Esses dados, em si, quase não são novidade. Também não faz diferença quem opera o sistema. Tanto entre as cidades que apresentam os melhores indicadores quanto entre as piores, estão operadores municipais, estaduais e privados. “Com esse quadro, podemos concluir que não é o modelo de gestão que determina a prestação eficiente, pois existem bons e maus operadores nas três situações observadas. O que faz a diferença é a prioridade política e a importância que tanto os gestores públicos quanto a própria população dedicam ao saneamento, cobrando uma prestação de serviços eficiente e de qualidade”, afirma Raul Graça Couto Pinho, presidente executivo do instituto. E quem estabelece as prioridades, senão o prefeito? É ele, portanto, que faz a diferença. Como diz a matéria, quem pode fazer a diferença entre o primeiro e o terceiro mundo é a administração municipal, ou seja, o prefeito, como Jaime Lerner, que fez de Curitiba uma cidade modelo. É isso que Bauru espera do jovem Rodrigo e dos que o sucederão.
O autor, Pedro Grava Zanotelli é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru