Polícia

Foragido do IPA é morto pela polícia

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Um homem foi morto na manhã de ontem em Bauru após resistir a uma abordagem da Polícia Militar (PM) na favela São Manoel. Roberval Aparecido de Souza, 35 anos, que era foragido do Instituto Penal Agrícola (IPA), foi atingido na altura da axila direita enquanto tentava escapar dos policiais. De acordo com informações da PM, Souza teria disparado duas vezes contra os policiais, mas a arma teria “picotado” e os tiros não saíram.

De acordo com informações do tenente Rodrigo de Ângelo, comandante da Base Oeste da PM, era por volta das 10h30 quando, em patrulhamento de rotina na região, policiais avistaram um homem em atitude suspeita. Foi solicitado que ele parasse, mas antes de ser revistado, Souza fugiu em direção ao córrego da Grama, na frente da favela.

De acordo com o capitão Fabiano Serpa, comandante da 3.ª Companhia da PM, o homem teria informado inicialmente uma identidade falsa. Os policiais perguntaram a uma pessoa que se aproximava o nome do suspeito, que aproveitou o momento para tentar escapar pelo rio.

Ângelo informa que os policiais partiram no encalço do homem solicitando que parasse, mas ele teria apontado uma arma em direção a um deles e efetuado o primeiro disparo. Souza continuou a correr e mais uma vez teria voltado a arma, um revólver calibre 32, na direção do policial. O PM efetuou um segundo disparo, que atingiu a altura da axila direita de Souza.

Ele caiu no rio. A própria polícia levou Souza ao Pronto-Socorro Central (PSC) em uma viatura. Ele não resistiu ao ferimento e morreu. Ao consultar os dados da vítima, os policiais verificaram que Souza era foragido do IPA, onde cumpria pena por tráfico de drogas, roubo e porte ilegal de armas. Ele escapou da unidade penitenciária em outubro do ano passado.

O caso foi levado ao Plantão Policial, onde o delegado Luís Carlos Amado elaborou Boletim de Ocorrência de resistência seguida de morte. “Pelo que me foi apresentado, os policiais, em abordagem de rotina, tentaram a identificação. Inicialmente Souza ofereceu um nome fictício. Houve a aproximação de uma conhecida, os policiais perguntaram a ela o nome dele e Souza saiu correndo. Embrenhou-se no mato às margens do ribeirão ali existente e sacou da arma. O policial atirou e um dos disparos atingiu o suspeito na altura da axila direita”, resumiu o delegado.

A arma de Souza foi apreendida. O revólver estava municiado com três projéteis, dois deles apresentavam marcas de que tinham “picotado”. Amado informa que o caso será encaminhado ao 1.º Distrito Policial, onde será instaurado inquérito policial para a apuração das circunstâncias do fato.

Na porta do Plantão Policial, Simone Miguel da Silva, 24 anos, aguardava informações sobre o caso. Ela disse que namorava Souza e que, atualmente, ele conseguia dinheiro fazendo bicos. “Ele trabalhava de pintor e ajudava meu irmão. Eu não sei o que houve hoje (ontem). Ele saiu de casa para colocar o lixo para fora e não vi o que aconteceu”, conta.

O capitão Fabiano Serpa informa que a arma do policial que baleou Souza foi enviada para perícia técnica. “O procedimento foi o padrão de uma abordagem de rotina. Mas antes do policial conseguir efetuar a revista pessoal, ele se evadiu”, relata. Serpa explica que o laudo elaborado pela perícia será encaminhado à Polícia Civil. “O policial também passará por uma avaliação psicológica”, explica. Os policiais militares que se envolvem em troca de tiros passam por esse tipo de avaliação.

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