Teresina - Subiu para seis o número de mortos com a inundação causada pelo rompimento da barragem de Algodões 1, em Cocal da Espação (PI), na última quarta-feira. O corpo foi localizado no final da tarde de ontem na localidade de Franco, em Cocal, é da menina Maria Andreina Pereira, 6 anos. Três pessoas ainda estão desaparecidas.
Os trabalhos de busca foram suspensos por volta das 18h de ontem. As buscas devem ser retomadas na manhã de hoje. Cerca de 94 mil estão desalojadas. Ontem, o governo do Estado liberou R$ 750 mil para os municípios atingidos pela inundação. Dois helicópteros foram enviados à região para auxiliar na distribuição de donativos.
Hoje, as equipes de assistentes sociais da Defesa Civil e Secretaria de Assistência Social e Cidadania farão levantamento junto às famílias alojadas em abrigos para avaliação de perdas e danos provocados pelo acidente.
Ontem, o secretário estadual de Fazenda, Antônio Neto, esteve em Cocal e determinou que seja feito um levantamento dos prejuízos causados pelo rompimento da barragem. Para o município de Cocal ele anunciou a liberação de R$ 500 mil; e para Buriti dos Lopes serão disponibilizados R$ 250 mil.
Reforço
Cocal recebeu ontem 30 homens do Exército como reforço no trabalho de buscas e de ajudas às vítimas da inundação em Cocal e Buriti dos Lopes. Três carros do Exército foram enviados para auxiliar a equipe e outros dois veículos estão a caminho da localidade.
Isolamento
O alagamento causado pelo rompimento da barragem dificulta o acesso às quatro cidades do litoral do Estado, de acordo com o governo.
De acordo com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte), a água inundou as cabeceiras da ponte sobre o rio Pirangi, na BR-343, a 5 km da cidade de Buriti dos Lopes e a 30 km de Parnaíba, o que deixou isolada toda a região litorânea.
MPF vai investigar
O Ministério Público Federal (MPF) no Piauí anunciou na manhã de ontem a abertura de uma investigação para apurar as causas do rompimento da barragem. Há suspeitas de negligência na condução e manutenção da obra.
“Vamos apurar se essa tragédia foi em decorrência apenas do fenômeno da natureza, no caso a chuva, ou se houve fragilidade e inadequação na construção da obra. São questionamentos que só a perícia vai apontar. Temos que ter cautela. Vários órgãos serão notificados”, afirmou o procurador-chefe do MPF no Piauí, Kelston Pinheiro Lages.
Segundo o governo do Estado, há 15 dias, quando a represa atingiu nível máximo, 1,2 mil pessoas foram retiradas do local, por precaução. Elas, entretanto, retornaram na última sexta-feira por orientação do engenheiro responsável pela obra, Luís Hernane de Carvalho.