Polícia

Cerol faz 1ª vítima este ano em Bauru

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Motociclistas de Bauru já podem ficar atentos. A temporada de linhas de pipas com cerol – mistura de vidro moído com cola - começou mais cedo este ano. Ontem pela manhã, um empresário teve o pescoço cortado quando passava na altura do quilômetro 1 mais 400 metros do acesso à rodovia Bauru-Marília, no prolongamento da avenida Elias Miguel Maluf. Por sorte, o ferimento não foi muito profundo.

Os problemas provocados pelo uso do cerol costumam se intensificar no período de férias escolares do meio de ano, quando a garotada está com tempo livre e o vento normalmente é mais forte e constante. Em julho do ano passado, o 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior informou que, nessa época, a média diária era de 20 denúncias sobre crianças empinando pipa com cerol.

Mas ontem, o cortante usado para tomar a pipa alheia fez a primeira vítima do ano. Nivaldo Queiroga Silva, 30 anos, conta que estava trabalhando quando foi atingido. “Eu ia comprar algumas embalagens quando logo depois de passar pelo segundo quebra-molas da avenida vi a linha. Tentei tirá-la, mas acabei cortando a mão e o pescoço”, relata.

Um garoto que estava pelo local chamou ajuda. Uma viatura da Unidade de Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros foi acionada. De acordo com o cabo Luciano Aparecido Lopes, um dos bombeiros da equipe que atendeu o empresário, o sangramento foi estancado. “Contivemos a hemorragia e liberamos as vias aéreas para que não houvesse risco dele aspirar o próprio sangue e engasgar”, explica.

Em seguida, a vítima foi levada ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde foi atendida pelo médico Ieso Saggioro. “Ele teve muita sorte. Cortou a pele, o plano muscular e quase atingiu a traquéia”, descreve. “Se tivesse atingido a carótida, não teria tempo de socorrer”, avalia o médico. Para Saggioro, esse tipo de acidente não poderia ocorrer. “As famílias devem ficar alertas. Ainda tem quem ache que isso é banal, mas um dia pode acontecer com algum parente”, pondera.

Silva também pede mais atenção. “Eu ainda não tenho filhos, mas tenho sobrinhos e sempre os orientei sobre esse perigo. Vou alertar ainda mais”, afirma.

Maria Cristina Silva, irmã do empresário, aguardava a sua liberação. Ela conta que o irmão possui a antena de proteção em sua motocicleta, mas ele resolveu tirar porque ainda não é “temporada” de pipas. “Agora vou tentar convencê-lo a vender a moto”, conta. Silva teve de passar por sutura em um dos dedos e no pescoço e foi liberado ainda no início da tarde de ontem.

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