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No ‘mar' de asfalto, faltam árvores

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Não é de hoje a conclusão de que Bauru é uma cidade pouco arborizada. Existem ruas que não têm uma árvore sequer plantada nos dois lados das calçadas. Esse déficit fica mais visível no Centro da cidade. Como muita gente circula por ali, a sombra de uma árvore faz muita falta nos dias quentes, que é o que tem de sobra em Bauru. Mas, infelizmente, não é só no Centro que faltam árvores. Esse mal está disseminado pela cidade.

As exceções ficam com o Jardim Estoril, na zona sul, e o Núcleo Gasparini, na região norte, considerados os bairros mais arborizados. Por outro lado, Mary Dota, Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), Pousada da Esperança e Centro estão entre os que menos têm árvores. Para o prefeito Rodrigo Agostinho, esse é um dos graves problemas ambientais enfrentados pela cidade.

Para combatê-lo, a prefeitura prepara para este ano ainda grandes campanhas de arborização urbana. Segundo o prefeito ambientalista, as mudas estão sendo produzidas no viveiro municipal. A idéia é utilizar a estrutura da Emdurb para plantar árvores nas calçadas. A meta para este ano é plantar pelo menos 10 mil árvores. Pode parecer muito, mas é pouco diante do déficit que existe na cidade.

Dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) apontam que existem em torno de 130 mil árvores nos passeios públicos da cidade. O ideal seria que houvesse, no mínimo, o dobro disso.

Entre os benefícios proporcionados pelas árvores ao meio urbano estão a redução das temperaturas médias no período do verão; a diminuição nos níveis de poluição atmosférica e sonora; e aumento da umidade relativa do ar.

Segundo o biólogo Clodoaldo Gazzetta, falta um plano de arborização para a cidade, com definição de áreas importantes e necessárias para receber projetos, perfil de espécies para cada setor da cidade, áreas públicas de relevante interesse para implantação de parques e bosques. Ele lembra que a cidade tem hoje apenas três bosques comunitários, construídos na década de 1980 e 90, dos quais apenas um possui as condições mínimas de receber visitantes. Segundo o biólogo e coordenador de projetos do Vidágua, a grande maioria das praças públicas na periferia da cidade não apresenta arborização compatível com a necessidade.

Preservação florestal

Outro ponto destacado pelo prefeito Rodrigo Agostinho que merece atenção especial de toda a cidade é a questão da preservação das matas e do cerrado que ainda restam nessa região.

Bauru tem uma cobertura florestal de aproximadamente 8%. São 5.959 hectares, de acordo com um levantamento feito pelo Instituto Florestal, em 2006. Conforme os anos vão passando, essa área tem diminuído. Antes que toda a floresta remanescente venha abaixo ou vire cinzas, é necessário tomar algumas providências.

“Precisamos criar reservas, parques e desapropriar algumas áreas para garantir a preservação do cerrado”, observa o prefeito. Por outro lado, é preciso administrar um conflito de interesses. Enquanto existe um grupo que quer preservar o pouco que resta de mata na zona urbana, outro grupo quer derrubar árvores para abrir novos empreendimentos imobiliários.

O grande embate em Bauru é que a cidade está crescendo justamente na direção onde está o cerrado. Por esse motivo, Agostinho conta que o município está encontrando dificuldade grande de conciliar o desenvolvimento urbano com a preservação florestal.

Uma das maneiras de resolver essa questão, segundo o prefeito, é aceitar o desmatamento de algumas áreas com a garantia de conservação de outras. “Vamos ter de criar compensações ambientais. Não tem outro jeito.” E assim buscar um equilíbrio entre os interesses. Agostinho lembra que o próprio Distrito Industrial 2 de Bauru tem grande parte da área sobre o cerrado.

Segundo o biólogo Clodoaldo Gazzetta é preciso pensar em planos e projetos urgentes para proteção e recuperação dos remanescentes florestais, com ênfase naqueles que contribuem mais diretamente para a conservação da água, a preservação de espécies endêmicas ou em extinção, ou a formação de corredores ecológicos. De acordo com ele, a urgência se deve ao fato de já estarmos em acelerado processo de escassez de água. “Se nada for feito, entraremos em colapso em um curto prazo de tempo”, acredita.

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