São Paulo - Em meio à implantação da lei antifumo, que proíbe o cigarro em todos os ambientes fechados do Estado, uma pesquisa da Catho, a maior empresa de recrutamento on-line do país, revela que 82% dos gerentes e 83% dos diretores têm objeção à contratação de fumantes. Isso significa que, entre dois candidatos com qualificação profissional o não fumante tem a preferência do empregador.
A AlfaData Solutions diz ter “o princípio de não contratar fumantes”. “Entendemos que o funcionário que não fuma tem uma saúde melhor e vai produzir mais. Também não queremos tornar os demais empregados fumantes passivos”, afirma o gerente Ivan Caparrós. O estudo, feito a cada dois anos, mostra que, de 1997, quando foi analisado pela primeira vez, o percentual de fumantes nas empresas caiu de 20% para 12% atualmente.
Curiosamente, quanto menor é a hierarquia, menor é o número de vezes que o empregado sai para fumar por dia. Enquanto os vice-presidentes puxam 14 cigarros por dia, os estagiários fumam cinco. Dos profissionais ouvidos, 77% dizem não ter permissão para fumar no trabalho e outros 67% afirmam que suas empresas têm lugares específicos para empregados fumantes.
Para Fabíola Marques, ex-presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo e professora de direito trabalhista da PUC, a objeção à contratação de fumantes é totalmente discriminatória. “A lei proíbe discriminação na contratação ou no trabalho. Se o candidato conseguir comprovar que foi discriminado por ser fumante, pode conseguir indenização.”
A pesquisa ouviu 13.340 profissionais de todo País e, como foi feita por questionários respondidos voluntariamente, não considera margem de erro. A razão para a exclusão dos fumantes é a menor produtividade dos empregados que fumam. Para os patrões, os fumantes deixam mau cheiro de cigarro no ambiente e se atrapalham ao parar para fumar.
Segundo Antonio Carvalho, headhunter e sócio-diretor da Panelli Motta Cabrera Associados, empresa especializada na contratação de executivos, a preferência por não fumantes é velada, mas acontece. “Já houve casos em que me disseram claramente: ‘não contrate fumante’. Descer para fumar interfere na produtividade, não tenho dúvida”, alega.