Polícia

Setor rural sela ‘pacto de segurança’ contra assaltos em fazendas

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Em busca de ações preventivas contra novos roubos de gado em fazendas da região, pecuaristas, representatividades do setor rural e policiais participaram, ontem à noite, de uma reunião com o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Bauru, para discutir formas de coibir esse tipo de crime, constante na região desde o início do ano.

Após longa deliberação, a reunião, realizada na sede do Escritório de Desenvolvimento Rural, foi considerada proveitosa pelos participantes, apesar dos protagonistas não terem chegado a conclusões de efetivação imediata. Houve participação, inclusive, de vítimas de recentes roubos na zona rural. “Precisamos sistematizar as idéias para ações objetivas”, acentua Christopher Davies, representante da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag).

Segundo Davies, uma das propostas apresentadas que deve ter encaminhamento prático, em novas reuniões com respectivas datas a serem marcadas nos próximos dias, é o diagnóstico de propriedades que estariam suscetíveis a ação de ladrões. De acordo com os participantes do encontro, fazendas que concentram uma média mínima de 100 cabeças de gado teriam maior vulnerabilidade.

A partir desse mapeamento, acentua Davies, seriam implementadas medidas preventivas, como a implantação de uma rede de comunicação entre os proprietários, bem como outros procedimentos de segurança, como a mudança de hábitos de fazendeiros, familiares e empregados, até a provável instalação de equipamentos eletrônicos de segurança ao redor das propriedades rurais.

Policiais militares tanto do patrulhamento urbano, quanto dos destacamentos ambiental e rodoviário, presentes ao evento, admitiram dificuldade na fiscalização. Apesar das alegadas faltas de efetivo suficiente para uma coação maior do trânsito de caminhões com carga bovina roubada ou furtada, seja nas estradas rurais, vicinais ou rodovias, segundo os policiais, a fiscalização é realizada com maior afinco após as constantes ocorrências, a maior parte com moradores, funcionários e familiares de proprietários mantidos reféns durante horas a fio pelos criminosos.

“Tudo passa pela rodovia”, observa o tenente capitão Carlos Alberto Fantini, comandante do Policiamento Rodoviário. “No entanto, apesar da fiscalização ser realizada, com maior número de operações, não temos efetivo suficiente. Nossas atribuições são muito grandes”, lamenta o oficial, que relaciona o aumento de casos à alegada diminuição de roubos em ônibus de turismo, com a migração dessas quadrilhas dos coletivos vindos do Paraguai para os pastos com maior número de cabeças de gado.

Outro fator que emperraria uma melhor fiscalização, cita o capitão Nilson Fidélis da Silva, comandante local da Polícia Militar Ambiental, é a falta de informações mais detalhadas sobre as propriedades. Ele afirma que haveria certa omissão de órgãos públicos responsáveis pelo catálogo das fazendas quanto ao fornecimento de dados específicos sobre as mesmas, o que dificultaria um levantamento minucioso por parte dos policiais.

Desde março, foram registrados cinco roubos de gado em propriedades rurais da região, nos municípios de Bauru, Piratininga e Lençóis Paulista. Todas as ações envolveram a coação de reféns. Ao todo, foram roubadas 428 cabeças bovinas, contabiliza o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural.

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