A grande tristeza tirou-me as forças para escrever sobre ele. Amigo certo, carinhoso, educado, gentil, atencioso e altamente competente na sua profissão. Eu era recebido em sua casa mesmo quando estava atendendo um cliente. Três dias antes do seu falecimento estive lá e lhe pedi. - Jurandyr, por favor, pare de fumar.
O sopro imperceptível que nos apaga a vida, passando por cima de nossas cabeças, havia exercido o mistério da sua função na eminência de onde irradiaram na arquitetura e na política, tantos dias de glória imorredoura.
Uma perda incalculável. Cessou para sempre de trabalhar o cérebro incomparável. Parecia que sua vida tinha seus passos orientados no planeta por uma voz misteriosa como aquela chegada, entre trovões e relâmpagos, aos ouvidos de Moisés. O pensamento, a palavra, a ação combinavam-se nele com uma harmonia perante a qual a minha admiração se inclinava com respeito.
Aí temos a figura do grande arquiteto que desapareceu. A sua obra ergue-se aos nossos olhos como um templo. Deixou feitos que poderiam ser comemorados anualmente.
Congratulo-me com Bauru por ter um filho tão eminente e deferir-lhe a honra que merece.
Por que esses homens são grandes? Eles próprios não o sabem. Sabe-o quem os enviou.
Para Jurandyr a felicidade estava na doçura distribuída sem idéia de remuneração e a nossa felicidade consiste na felicidade alheia generosamente criada por um ato nosso, dizia.
Dir-se-ia que, nessa grandiosidade que sua alma percebia o irresistível da força que o animava a produzir incansavelmente.
Para ele, o ideal não tinha definição, enxerga-se por clareiras que dão para o infinito, o amor abnegado, a fé cristã, o sacrifício pelo interesse superior da humanidade. Querido amigo, esteja em paz com Deus, Jesus Cristo e a Imaculada Mãe de Jesus.
Blasco Peres Rego - escritor e advogado - OAB 17461