Ouve-se o som das sirenes. Já é hora das ruas estarem vazias. Todos os pais vão dormir despreocupados, pois seus filhos adolescentes já estão dentro de casa, na cama. Os perigos e tentações urbanas estão longe de seus filhos – ingênuos em relação ao mundo externo. Tudo está bem. Os filhos acordam cedo, dispostos a estudar e tirando ótimas notas. Ilusão. A imagem de um país que exibe estatísticas de como diminuirá a taxa de criminalidade quando menores de dezoito anos possuírem uma “hora-limite” para ficar nas ruas, e como o rendimento escolar ficará notável nos boletins pode ser bonita, mas não é o que realmente acontecerá.
O adolescente discriminado pela sociedade por ter nascido e viver em certa região não esperará até a meia-noite para roubar alguém. Um grupo de jovens de 13 anos não esperará até as oito e meia da noite para comprar cocaína. Quem rouba, rouba agora. Quem se droga, se droga independente de horta ou lugar. Pode-se tomar como exemplo o Toque de recolher que é uma prova irrefutável da situação em que a nossa sociedade se encontra, tendo que o governo intervir em um assunto que deveria ser tratado dentro da casa dos adolescentes.
A liberdade que temos é apenas utopia; vivemos cheios de limites e padrões. E aceitamos. Isso acontece porque os papéis dentro das famílias contemporâneas se inverteram: são os filhos que agora “dominam” os pais. Falta autoridade dos pais, respeito de seus filhos e bom senso de ambos! Obrigar (pré) adolescentes cheios de hormônios a ficarem dentro de casa, tendo seus hábitos mudados de uma forma arbitrária e repentina pode acarretar mais problemas do que soluções. São decisões abusivas que ferem liberdades constitucionais como a liberdade de ir e vir e a de poder escolher o que é certo e errado, além de não formar o bom caráter de ninguém. Contradizendo grande parte dos argumentos apresentados aqui, o baque em ambos os lados - dos pais e dos filhos - ao perceberem que tais medidas “abusivas” melhoraram toda uma sociedade, será satisfatório. Vale lembrar que é isso que se espera. Viver em uma democracia e também dar às pessoas a chance de compreenderem o peso de seus atos.
Porém, o quando atual só será realmente revertido quando a base de tudo estiver acessível a todos: educação. Medidas como estas são apenas o começo. O Estado deve criar outras medidas sócio-educativas como a socialização dos menores discriminados. Uma solução, a longo prazo, é a implantação de atividades lúdicas e culturais em centros educativos que atraíssem seus respectivos alvos no período da tarde ou noturno, preenchendo o tempo ocioso na vida dos jovens; afastando-os da criminalidade.
A palavra-chave do momento é a “conscientização”. Não é algo rápido, mas rapidez nunca foi sinônimo de eficácia.
Lorena Rocha Piedade - estudante do primeiro ano do Ensino Médio