Polícia

Menor é morto a facadas pelo irmão

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

O adolescente Luciano Moreira Marçal, 16 anos, foi brutalmente assassinado pelo próprio irmão, o montador de móveis Wilson Moreira Marçal, de 23 anos, que confessou o crime para familiares, ontem, num pasto do bairro rural de Matozinho, às margens da rodovia Bauru-Marília. Ele, segundo relato de parentes às polícias Civil e Militar, espancou o irmão caçula a pauladas e, em seguida, matou o jovem com quatro facadas, uma delas no rosto e outras três nas costas.

O horário exato do crime, até o final da noite de ontem, era desconhecido tanto por familiares quanto por policiais. O pai da vítima e do rapaz que confessou o crime, o padeiro Tavarino Marçal, relatou que encontrou o corpo do filho caçula no pasto após ser avisado pelo filho mais velho. O pai retirou o corpo do adolescente, o colocou dentro de um carro e levou para casa, no Parque Santa Edwirges.

Segundo o pai, o filho mais velho telefonou para casa e, friamente, afirmou que o irmão “já era”. De acordo com o pai, o crime teria sido motivado por suposto furto que o adolescente teria feito na residência do irmão mais velho, que mora numa casa ao lado, dividindo a mesma parede.

Tavarino conta que, desde o sumiço do filho mais novo o procurava de forma desesperada, até receber a ligação do primogênito, no início da noite de ontem. Segundo o padeiro, foi o

próprio Wilson que, em nova demonstração de frieza, o conduziu até o local do crime. “Achamos (o corpo) com a claridade da lua”, narra.

O pai contou aos policiais que estiveram na residência da vítima, ontem, por volta das 23h, que o irmão mais velho, para atrair Luciano até o local ermo onde ocorreu o assassinado, o chamou para ajudá-lo a transportar uma motocicleta.

Após a localização do corpo, Wilson fugiu. O padeiro colocou o filho morto dentro do carro e o levou para casa. Antes, no entanto, Tavarino disse que ainda teve esperança de que o filho mais novo estivesse vivo. “O corpo estava quente e mole”, detalha o pai, que ainda limpou as marcas de violência mais aparentes no corpo do adolescente antes de chegar em casa.

O jovem morto foi deixado na sala da residência, momento em que familiares chamaram a Polícia Militar. Wilson, até por volta de 0h, ainda não havia sido encontrado. O pai da vítima e do acusado do crime lamentou: “Achei estranha a frieza dele (filho mais velho). Falou que ‘já era’”, lastima.

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi deslocada à residência de Tavarino ao final da noite de ontem. Mas como a equipe encontrou o adolescente já morto, socorreu a mãe dos envolvidos. Em choque com o crime entre irmãos, ela foi encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal Central.

Policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) também foram à residência dos Marçal, onde estava o corpo do adolescente. Porém, ressalva o delegado Cledson Nascimento, da delegacia especializada, o caso está aos cuidados do 1.º Distrito Policial por se tratar de crime com autoria conhecida.

A Polícia Científica também foi deslocada para atender a ocorrência. Entretanto, como o local onde ocorreu o fratricídio já estava prejudicado para a perícia, não fez as inspeções técnicas no pasto, onde, de acordo com o padeiro, foram deixados apenas rastros da violência entre irmãos. “Ficou uma poça de sangue lá”, resume. Luciano foi a 20.ª vítima de morte violenta neste ano em Bauru.

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