Bocaina - O governador José Serra (PSDB) lançou ontem na cidade de Bocaina (69 quilômetros de Bauru) o Pacto das Águas São Paulo e assinou a Lei do Cerrado. No evento 195 prefeitos se comprometeram a assinar o termo de adesão e cerca de 80 representantes de prefeituras estiveram na Fazenda Barraca.
Serra também plantou uma muda de Pau Brasil e lançou alevinos no rio Jacaré-Pepira. Ele estava acompanhado do secretário de Meio Ambiente, Xico Graziano e dos deputados estaduais Pedro Tobias (PSDB), Roberto Massafera (PSDB) e Chico Sardeli (PV).
O governador aproveitou o evento para citar obras de seu governo durante discurso de uma hora à platéia formada por prefeitos, vices, vereadores e representantes de prefeituras.
Para ele, a cultura e meio ambiente são suas prioridades, dois quesitos que foram bem avaliados na última pesquisa divulgada este mês pelo Instituto DataFolha, mas ele ignorou a Segurança Pública, o setor que a população reprova seu governo.
A proposta do Pacto das Águas é, em um único dia, ultrapassar o número de assinaturas recolhidas em todo o mundo durante o Fórum Mundial da Água, realizado em março deste ano em Istambul, capital da Turquia.
O Consenso das Águas é um documento de compromisso para estimular as lideranças dos municípios e órgãos regionais de gestão dos recursos hídricos frente às mudanças globais.
O Estado de São Paulo tem só 1,6% das reservas de água doce de um total de 13% do País. “É muito pouco. São Paulo não é bem servido de água, apesar de deter um terço do PIB e 20% da população do País. Por isso aumenta a responsabilidade de não desperdiçar água”, disse.
No mesmo evento, Serra também sancionou a Lei do Cerrado. A medida é parte das ações da Semana do Meio Ambiente para garantir que o bioma não desapareça do Estado de São Paulo.
Segundo Serra, durante a elaboração da Constituição Federal o cerrado ficou esquecido. A lei passa a ter critérios mais rígidos do que o próprio Código Florestal Brasileiro quanto à utilização e preservação do Cerrado.
Com a nova lei ficam mais severas as restrições nos licenciamentos em áreas de Cerrado, ficando proibido qualquer tipo de intervenção em áreas de Cerradão – vegetação com mais de 90% de cobertura do solo – e Cerrado Strictu-sensu (vegetação com estrato descontínuo, composto por árvores e arbustos).
De acordo com Serra, a lei é mais rigorosa do que a lei federal. O Cerrado tem menos de 1% de área preservada em todo o estado.
No final da solenidade, o governador descerrou três placas de inaugurações de estradas vicinais em Bocaina. Foram investidos R$ 2,3 milhões em 19,2 quilômetros.
Bocaina foi escolhida por estar no centro geográfico e ser uma das 44 cidades com selo verde e índices bons ambientais.
O prefeito Francisco Danieletto (PV) disse que o rio Jacaré-Pepira é um dos poucos bem preservados no estado.
Após assinar o Pacto das Águas São Paulo, Danieletto disse que uma das metas é implantar a coleta seletiva na cidade. “Não conseguimos fazer, mas é a meta até o final do ano”, disse.
O outro projeto é melhorar a capacidade de tratamento de esgoto ao utilizar um sistema natural com plantas em parceria com a Sabesp.
O governador depois de Bocaina seguiu para Igaraçu do Tietê (71 quilômetros de Bauru) para inaugurar a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) com capacidade para tratar até 45 litros de esgoto por segundo. O empeendimento teve investimento de R$ 2,9 milhões pelo Projeto Água Limpa do governo estadual.
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Serra diz que sua rejeição caiu
No único momento em que o governador José Serra (PSDB) comentou sobre as pesquisas eleitorais de intenção de voto à Presidência da República, ele admitiu que sua rejeição caiu.
Numa coletiva realizada no final da solenidade em Bocaina num cercado em volta de seguranças, repórteres e fotógrafos se acotovelaram para conseguir ouvi-lo.
“Acho ruim para o país antecipar a campanha eleitoral, nunca houve isso na história do país e não é bom para enfrentar a crise e nem para a qualidade das administrações federal, estadual e municipal”, declarou Serra quando respondeu à pergunta política sobre as últimas pesquisas de intenção de voto que apontam o governador entre os virtuais candidatos à sucessão de Lula. O governador admitiu que fica gratificado de ser lembrado nas pesquisas. “Não significa que eu esteja em campanha ou que pesquisa dá resultado em eleições”, disse.
Mas o próprio Serra citou as pesquisas que são favoráveis à sua administração. “Algo que reputo importante é a queda maior da rejeição ao nosso governo. Caiu ainda mais”, declarou.