Rio de Janeiro - Foram localizados ontem os primeiros destroços do avião Airbus A330-200 que desapareceu na noite do último domingo, enquanto seguia do Rio de Janeiro para Paris. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que o material está a cerca de 740 quilômetros do arquipélago de Fernando de Noronha e a 1.200 quilômetros de Recife, em direção à Europa.
Até ontem à noite, nenhum corpo havia sido encontrado e nada havia sido recolhido, mas é certo que os destroços são da aeronave, de acordo com o ministro da Defesa. A área em que os destroços estão pertencem ao mar territorial brasileiro, e o governo cuidará do resgate deles. A investigação das causas do acidente, porém, caberá ao governo francês. Jobim afirmou que a caixa preta deve estar no fundo desse trecho do oceano onde foram encontrados os destroços. Ali, segundo Jobim, a profundidade do oceano pode chegar a 3 mil metros.
Jobim não quis se pronunciar sobre as causas do acidente. Afirmou que por enquanto existem apenas “hipóteses” e que ele não se manifesta sobre elas. Questionado se os destroços espalhados por cinco quilômetros permitem concluir se o avião explodiu no ar ou caiu intacto na água, o ministro não quis responder. “Não é da competência do governo brasileiro dizer isso.”
Segundo Jobim, os primeiros destroços foram localizados à 1h de ontem. Um avião R-99 da Força Aérea identificou um conjunto de destroços metálicos e não metálicos no mar. Essa aeronave tem um sistema de busca por emissão de ondas magnéticas.
Essas ondas são enviadas em direção ao mar e, conforme retornam ao avião, o sistema identifica se existem ou não objetos na superfície do oceano. Apesar do primeiro indício, as buscas continuaram, e às 5h30 outro avião da Força Aérea identificou, na mesma região, manchas de óleo no oceano. Às 6h49 foi identificada uma poltrona no mar.
A confirmação do local do acidente, porém, só foi obtida às 12h30, quando um avião Hércules da Força Aérea identificou um rastro de destroços de cinco quilômetros. Segundo Jobim, é um material de metal e fios que pertence ao avião.
As buscas vão continuar, por meio de aviões, para localizar eventuais sobreviventes. Os aviões estão equipados para resgatar pessoas, se for necessário. “Nós não trabalhamos com hipóteses. Se trabalhássemos, poderíamos interromper as buscas, mas vamos continuar a procura. Até o momento, porém, não foi localizado nenhum corpo”, disse Jobim.
Navios da Marinha brasileira se deslocam rumo ao local onde os destroços foram localizados. O ministro da Defesa narrou a estratégia de recolhimento dos destroços e eventuais corpos que forem localizados. Eles serão embarcados nos navios e transportados até um ponto do oceano a 250 milhas do arquipélago de Fernando de Noronha.
Dali, serão resgatados por helicópteros da Aeronáutica, que farão o transporte até Fernando de Noronha. Embora a velocidade de deslocamento dos helicópteros seja muito maior do que a dos navios, eles têm autonomia para voar por até 500 milhas. Por isso, uma parte do trajeto terá de ser feita pelo mar.
Após se reunir com representantes do governo para ser informado sobre as operações de busca, o ministro Jobim esteve, ontem à tarde, com familiares dos passageiros do avião, que estão hospedados, por conta da Air France, no hotel Windsor da Barra da Tijuca (zona oeste do Rio).
Sobre a reunião com os familiares dos passageiros, o ministro afirmou: “Foi um diálogo difícil, dado o estado emocional em que se encontram. Nós temos que compreender a postura, mas não houve nenhuma manifestação de desagravo. Ficaram satisfeitos com as informações.”