Economia & Negócios

Acordo no TRT pode suspender greve

Por Lígia Ligabue | Com Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Mais uma vez, representantes do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte de Bauru e Região (Sindtran) e da Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) - que reúne as três concessionárias do setor na cidade - irão discutir um acordo para tentar evitar a paralisação do serviço na cidade. O Tribunal Regional do Trabalho, o 15.ª Região, com sede em Campinas, convocou as duas entidades para uma audiência de conciliação marcada para a manhã de hoje. Caso não haja acordo, motoristas podem parar a partir das 15h.

Anteontem, foi realizada, no Ministério Público do Trabalho, em Bauru, uma audiência de conciliação entre as partes. O procurador Marcus Vinícius Gonçalves tentou um acordo entre os representantes. Porém, não houve entendimento entre Transurb e Sindtran. O prefeito Rodrigo Agostinho informou que acompanha as negociações de perto e que a prefeitura irá atuar para que não haja prejuízo à população. “Está faltando bom-senso nessa história. Inclusive isso pode ter impacto na tarifa porque muda toda a planilha de cálculo. E quem vai sofrer é a população”, destacou.

Ontem, foi instaurado o processo para dissídio coletivo dos motoristas no TRT. Como o transporte público é considerado serviço essencial, a audiência de conciliação foi agendada já para a manhã de hoje. Irão a Campinas representantes da Transurb e do Sindtran. A expetativa é que haja entendimento antes das 15h, o que evitaria a paralisação dos ônibus.

Procurada pela reportagem, a Transurb, por meio de sua assessoria de comunicação, informou que acredita em um acordo. Para o sindicato, o encontro servirá para explicitar outras reivindicações. “Não queremos que a audiência fique só na questão salarial. Queremos debater outros pontos, como a redução da jornada de trabalho e a volta dos cobradores”, destaca o assessor da diretoria do Sindtran, Nélio Souza Santos.

A categoria reivindica 16% de reajuste salarial, R$ 600,00 de participação nos resultados (que atualmente é de R$ 120,00) e dobrar os R$ 150,00 pagos como tíquete-refeição. A Transurb propôs reajuste de 6%, referente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), 20% a mais no tíquete e aumento da participação nos lucros para R$ 360,00, a serem pagos em duas parcelas.

O vice-presidente do Sindtran, Valter Dutra Pereira, explicou que a categoria pode até deixar de lado a exigência dos 16% de reajuste caso a Transurb aceite implantar a jornada de seis horas diárias - hoje são sete - e concorde com a volta dos cobradores. De acordo com o sindicato, atualmente 70 cobradores atuam nos ônibus e o mínimo necessário são de 350. “A categoria até abre mão do reajuste real pela volta dos cobradores e pelo turno de 6 horas”, destaca Dutra.

Na tarde de ontem, sindicalistas distribuíram panfletos no Centro explicando à população as reivindicações da categoria, como a necessidade de mais cobradores. No informe, eles alegam que as empresas podem conceder aumento, sem que o valor seja repassado à tarifa.

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Usuários

Mais do que o risco iminente de ficar a pé no meio do trajeto entre a casa, escola ou trabalho, os usuários do sistema de ônibus urbano de Bauru vivem a expectativa da provável paralisação do setor anunciada para hoje.

Alguns passageiros, principalmente aqueles que usam mais de um ônibus por dia, lamentam a ameaça de greve e admitem que não teriam outra alternativa a não ser desembolsar mais dinheiro para ir e voltar ao trabalho com outras formas de locomoção, seja contratadas ou tirando o carro da garagem ou então apelar para o “solado do sapato”.

“Se eu não tivesse que buscar criança na escola, teria que ser caminhar mesmo”, justifica a operadora de caixa Eliane da Silva Paz, que, diariamente, toma quatro ônibus entre sua casa, situada no Jardim Godoy, e o local de trabalho, na região central.

Para ela, as reivindicações dos trabalhadores do sistema de transporte coletivo da cidade são justas, mesmo com conseqüências para os usuários. “É a única maneira que eles têm para lutar por salários melhores”, considera.

Porém, nem todos os passageiros demonstram a mesma compreensão. “Eu não aprovo (a greve). Muita gente vai ser atrapalhada no trabalho. É algo que influencia na vida de muita gente”, reprova a manicure Ana Paula de Sousa Ferreira, que precisa de dois ônibus para sair de casa, no Jardim Eldorado 2, para o trabalho, no Jardim América.

“Eu não tenho nenhum outro plano”, lamenta o estudante e funcionário de clínica veterinária Newton Laurentino da Silva sobre alternativas de transporte mediante eventual paralisação na circulação dos ônibus urbanos. “Moro no Mary Dota, trabalho na Falcão e estudo na Zuiani (escola estadual situada no Parque São Jorge). (uma greve) vai me prejudicar bastante”, constata.

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