Cairo - As reações ao discurso de Barack Obama, ontem, evidenciaram as divisões e diferentes expectativas no Oriente Médio. No mundo islâmico, alguns enxergaram como vazia a retórica do presidente dos EUA; outros pediram que as palavras de Obama se convertam em ações. Em Israel, as respostas variaram do apoio - ainda que limitado- às críticas.
O governo israelense expressou em comunicado “sua esperança de que esse importante discurso no Cairo leve a um novo período de reconciliação entre o mundo árabe e muçulmano e Israel”. Sem citar explicitamente o novo pedido de Obama pelo congelamento nos assentamentos judeus na Cisjordânia, ponto chave para a eventual criação de um Estado palestino, disse que “Israel (...) fará todos os esforços para expandir o círculo da paz enquanto protege seus interesses, especialmente sua segurança nacional’’.
E, enquanto o presidente israelense, Shimon Peres, elogiou a “sabedoria e coragem’’ da oratória do norte-americano, colonos judeus na Cisjordânia declararam que “Hussein Obama deu prioridade às mentiras árabes” e que é “ingênuo e fora da realidade”.
Palavras versus ações
Na outra extremidade de interesses na região, o grupo palestino radical Hamas, que controla a faixa de Gaza, destacou a “mudança de tom de Obama” em relação a seu antecessor, George W. Bush, mas pediu “a tradução de seus (de Obama) desejos e visões em ações”.
O Irã seguiu a mesma linha. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, disse que a mensagem obamista “não é o suficiente” e que os EUA devem dar “passos práticos”. Mais crítico, o Hizbollah - misto de milícia e partido político que tem 14 assentos no Parlamento libanês - disse que a fala de Obama não revela “mudança real na política e na postura dos EUA na região”. “O mundo árabe não precisa de lições, mas de atos reais, a começar pela causa palestina”, disse Hassan Fadlallah, deputado do grupo xiita. No Iraque, o clérigo radical xiita Moqtada al Sadr - cujas milícias lutaram contra as tropas americanas - expressou ceticismo quanto à mudança na política americana “de controle e globalização”.
Reações moderadas
Entre as reações mais moderadas, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (que se reuniu com Obama há poucos dias e que tem o apoio da Casa Branca), disse por meio de seu porta-voz que as referências aos palestinos no discurso são um “importante passo para um recomeço”. A Liga Árabe, conjunto de 22 nações, também qualificou o discurso de “uma nova visão da proximidade entre muçulmanos e o Ocidente’’.
A Irmandade Muçulmana, grupo de oposição banido mas tolerado no Egito, fez uma análise do discurso: “(Obama) tinha dois objetivos principais: melhorar a imagem dos EUA e isolar a Al Qaeda. Foi bem-sucedido em 70% ou 80%. Mas se ele não for adiante com ações, será desastroso. As pessoas estão enxergando suas palavras como promessas’’.
No Ocidente, o Parlamento Europeu e a ONU elogiaram a fala de Obama. Mas alguns grupos de direitos humanos cobraram mais ênfase do presidente.