Se o Noroeste convive com a ameaça de ficar sem presidente, já que Damião Garcia não garante sua permanência no cargo e deixa sob suspense o futuro do clube neste segundo semestre, com jogadores, funcionários e torcedores esperando há dois meses uma decisão do mandatário, agora o Alvirrubro se depara com a realidade de ficar sem seu vice-presidente, o empresário João Bidu, e sem o presidente do Conselho Deliberativo, Abel Abreu. As cartas de renúncias foram entregues ontem. A de Abreu está nas mãos do secretário do Conselho, Roger Yafushi, e a de Bidu em posse de Manoel Ferreira Marques, diretor financeiro noroestino. Tudo isso no ano em que o clube foi rebaixado como “lanterna” do Campeonato Paulista, em uma das piores campanhas de sua história.
Abreu, visivelmente desgastado e contrariado, resume em poucas palavras sua decisão. “Fui até onde pude, gastei energia e noites de sono por causa do Noroeste”, desabafa. “Faço isso (renunciar) com dor no coração, porque amo o Noroeste e continuo noroestino”, enfatiza. Entre os motivos que levaram Abreu a deixar a presidência do Conselho Deliberativo estão a falta de contato com o presidente noroestino, Damião Garcia, e o fato de ter sido barrado na portaria do estádio Alfredo de Castilho durante uma partida do Campeonato Paulista deste ano. A renúncia dá mostra da situação que vive o Conselho Deliberativo do Noroeste: enfraquecido e desmoralizado, a maior parte das vezes com atuação figurativa.
De acordo com o artigo 44 do estatuto do clube, “O Presidente do Conselho Deliberativo será substituído pelo Vice-Presidente ou, na falta deste, pelo Secretário”. Assim, o vice-presidente do Conselho, o promotor Luiz Carlos Gonçalves Filho, o Godô, assumiria a presidência do órgão. Em caso de renúncia de Godô, o cargo ficaria nas mãos do secretário Roger Yafushi. Definido estatutariamente como substituto de Abreu, Godô afirma que só se pronunciará em reunião do Conselho. “Vou esperar a carta dele (Abel) e vou conversar com meus pares para saber o que vai ser decidido. Não tenho posição, só vou firmar minha posição com eles (conselheiros) na reunião”, argumenta.
Godô pretende deliberar com os outros conselheiros os procedimentos pós-renúncia. “Vou aguardar a reunião para me pronunciar junto com meus colegas sobre quais serão as medidas tomadas sobre este ato do Abel. Vou propor que seja feita uma eleição para presidente”, aponta. Porém, como o secretário do Conselho já recebeu a carta de renúncia de Abel Abreu, ou seja, o Conselho já foi notificado, só restam duas opções a Godô: aceitar o cargo ou renunciar a ele. Uma reunião seria realizada apenas se vice-presidente e secretário do Conselho renunciassem. Como é usual nestes casos, subentende-se que caberia ao conselheiro mais idoso convocar um encontro, onde o órgão elegeria outra mesa. Em caso de renúncia de todos os conselheiros, o sócio mais antigo marcaria uma assembléia geral. Entretanto, Godô mantém a esperança de reverter o desligamento de Abreu. “Nós vamos tentar convencer o Abel a ficar”, observa.