A exposição de réplicas de dinossauros “Gigantes da Natureza” ganhou mais uma atração na tarde de ontem. Um dos mais importantes carnívoros que habitaram a Bacia Bauru, em tempos pré-históricos, o crocodilo “Baurusuchus salgadoensis” poderá ser visto no Alameda Quality Center até o dia 6 de julho. A visitação tem entrada gratuita.
O “Baurusuchus salgadoensis” viveu no período Cretáceo, há cerca de 90 milhões de anos, e sua descoberta remonta ao início dos anos 1990, na cidade de General Salgado (SP), quando um professor encontrou os primeiros fósseis da espécie com a ajuda de um aluno. “Ele era um excelente caçador terrestre e um dos mais importantes predadores que viveram na região”, conta o biológo Ariel Milani Matine, que apresentou a espécie em evento realizado no Alameda.
A réplica, disposta ao lado do gigante “Uberabatitan ribeiroi” - maior dinossauro já descoberto no Brasil - tem aproximadamente 2,5 metros de comprimento. Estima-se que, em vida, ele chegava a pesar mais de 200 quilos. “A Bacia Bauru (que compreende os Estados de São Paulo, Goiás e trechos de Minas Gerais) é muito rica em fósseis. Sempre fico muito feliz em mostrar um animal brasileiro para as pessoas, porque a população não tem acesso a essas informações e nem imagina a importância das descobertas do País na área”, comenta o biólogo, que há mais de 10 anos dedica-se a preservação de fósseis de animais.
Adaptados ao ambiente seco, esses parentes distantes dos crocodilos atuais foram extintos por conta de mudanças climáticas ocorridas no período. “Os ‘Baurusuchus’ eram primos terrestres dos crocodilos de hoje. Suas pernas, por exemplo, eram bem mais longas, já que precisavam andar muito mais tempo sobre o solo. Mas mudanças no clima favoreceram os bichos aquáticos e fizeram com que os terrestres desaparecessem”, explica Matine.
De acordo com o biólogo, para se protegerem dos períodos de aridez, em que as chuvas custavam a voltar, essas espécies faziam buracos e se enterravam, à procura de umidade. Quando finalmente chovia, o fluxo de água era forte e arrastava sedimentos por onde passava, causando assim grandes catástrofes ecológicas. Foi nessa situação que muitos animais foram soterrados, formando os jazigos fossilíferos, preservados nas rochas.
“Isso ajudou muito na preservação. Nesse caso, o animal foi praticamente inteiro replicado do original”, afirma.
Para o biólogo, a preservação desses fósseis, além de mostrar como podem ter sido as catástrofes ecológicas ocorridas na Terra no Cretáceo e ajudar a entender as condições do planeta nesse período, são, sobretudo, uma lição de vida. “É bonito visitar, é bacana. Principalmente os dinossauros, que sempre nos encantam pela sua grandeza. Mas eles foram extintos por mudanças climáticas e no ambiente, porque estavam no topo da cadeia, lugar que nós ocupamos hoje. Hoje, o grande império é o nosso, está nas nossas mãos manter isso ou não. Daí a importância da lição que eles deixaram para gente”, alerta.
A exposição “Gigantes da Natureza” conta ainda com réplicas dos dinossauros “Pycnonemosaurus nevesi”, encontrado no Mato Grosso do Sul, e o “Zupaysaurus rougieri”, da Argentina, além do “Dinodontosaurus turpior”, uma espécie de réptil que deu origem aos mamíferos.
• Serviço
Exposição “Gigantes da Natureza” até o dia 6 de julho, no Alameda (rua Luis Levorato, 1-55, na altura do quilômetro 335 da rodovia Marechal Rondon). Informações: (14) 3321-5000.