Anhembi, uma pacata cidade de pouco mais de 5 mil habitantes, na região de Botucatu, vive dias de metrópole durante os festejos de Nossa Senhora dos Remédios e do Divino Espírito Santo, comemoração que acontece todos os anos, 50 dias após a Sexta-feira Santa. Este ano, o evento ocorreu nos dias 29, 30 e 31 de maio. No próximo, a data será 21, 22 e 23 de maio.
A população se multiplica por seis, as residências se transformam em hospedagens, as ruas se tornam comerciais e um misto de emoção e fé toma conta dos visitantes assim que chegam à cidade e encontram as principais ruas cobertas de lençóis de cama, um mistério para os “marinheiros de primeira viagem”.
Oito quadras das principais ruas da cidade foram cobertas com 1.470 lençóis que serviram de “base” para acolher o mesmo número de fiéis que recebem as bênçãos do Divino Espírito Santo.
A festa é o maior evento anual do município, que tem sua economia focada na agricultura, especialmente no cultivo da cana-de-açúcar, eucalipto e laranja. É sinônimo de movimentação na economia local.
Com um índice de criminalidade de fazer inveja, Anhembi não registra crimes violentos há anos e, mesmo com a população flutuante seis vezes maior do que a fixa, mantém a tranqüilidade, ficando apenas com registros de crianças e idosos perdidos no dia em que se transforma na capital da fé.
O ritual começa com a chegada dos barqueiros, Irmandade do Divino, que somado a uma queima de fogos, músicas religiosas e muitas palmas arranca lágrimas até mesmo daqueles que não têm a emoção à flor da pele. Encerra com uma missa campal e com os barqueiros levantando o mastro do Divino com os remos, algo inusitado. Na edição 2009, a missa foi celebrada pelo arcebispo metropolitano de Botucatu, Maurício Grotto de Camargo.
Pela contabilidade do Policiamento Rodoviário, o evento recebeu cerca de 400 ônibus de excursões dos mais diversos pontos do país, além de veículos de passageiros que transportavam fiéis que buscam ou agradecem uma graça recebida.
Pelas placas dos veículos foi possível identificar que as excursões partiram de cidades próximas como Botucatu, ou distantes, como Sorocaba, Avaré, São Paulo, Guarulhos, Santos, Tatuí e até de outros estados, como de Minas Gerais.