Bairros

Bauruense investe mais na formação profissional

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 5 min

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no final do mês passado, o resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) realizada em 2007, que concluiu que 72,4% da população economicamente ativa, ou seja, que se encontrava empregada no momento do levantamento, nunca havia freqüentado uma sala de aula para formação e aperfeiçoamento profissional. Já entre aqueles que procuram uma recolocação no mercado de trabalho, 66,4% informaram que nunca passaram por um curso de educação profissional.

Em Bauru, a formação profissional e o aperfeiçoamento do trabalhador, ao que parece, seguem uma corrente contrária ao restante do País. De acordo com os números fornecidos por diversas unidades de ensino da área, seja pública, privada ou ligada ao sistema “S”, tem sido cada vez maior a procura de trabalhadores, jovens e adultos, por cursos que resultem em sua primeira qualificação ou aperfeiçoamento profissional.

De acordo com José Roberto Bottaro, gerente da unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), as pessoas têm procurado cada vez mais se especializar para entrar ou manter-se no mercado profissional. “O investimento permanente no desenvolvimento profissional é a maior garantia da manutenção do emprego atualmente”, avisa.

Apesar desses dados terem sidos constatada e divulgada recentemente pelo IBGE, os empresários e empregadores em Bauru e por todo o Brasil já reclamam dessa realidade há muito tempo. A falta de mão de obra especializada no mercado impede é o que mais impede a recolocação profissional de milhares de trabalhadores.

De acordo com o levantamento, apenas 22,4% do total de alunos matriculados em cursos de educação profissional estavam em instituições públicas. Instituições particulares como escolas privadas, ONGs, sindicatos e outros, respondem por 53,1% da formação profissional do trabalhador brasileiro. Já as vinculadas ao sistema “S” (Sesi, Senac, Sebrae, Sest/Senat) são responsáveis por 20,6%.

Na hora de contratar, a maior parte das empresas leva em consideração a formação do candidato. Em geral, os departamentos de Recursos Humanos (RH) das empresas começam a eliminar os candidatos para as vagas existentes pela falta de alfabetização e de um curso de informática básica, por exemplo.

Informática

A pesquisa divulgada pelo IBGE também revela que entre os cursos de qualificação profissional que não exigem escolarização prévia, a informática aparece no topo com 41,7% dos matriculados, seguida pelas áreas de comércio e gestão (14%) e indústria e manutenção (11,2%).

Gislaine Milena Casula Magrini, analista de RH, reforça que a falta de um curso de informática, por exemplo, diminuiu - e muito - as chances de uma pessoa ser contratada para uma simples vaga numa empresa. “Até mesmo nos cargos mais simples, o conhecimento básico em informática pode ser decisivo”, avisa.

José Mendes Amparo conta que trabalhava em uma empresa como porteiro há 15 anos e nunca achou que precisasse se preocupar em fazer um curso de informática. “Me preocupava em garantir o acesso à informática aos meus filhos, mas nunca me preocupei comigo”, conta. De acordo com ele, há cerca de cinco anos surgiu na empresa a conversa sobre a informatização total da unidade.

“Na época, ‘peguei no ar’ que estava prestes a ser excluído do quadro de funcionários da empresa. Procurei uma escola e, em três meses, tinha o certificado nas mãos. Pouco tempo depois, a empresa automatizou todo o atendimento e demitiu quem não tinha conhecimento básico de informática”, conta.

Benedito de Almeida, serralheiro, nunca se preocupou em freqüentar um curso profissionalizante. “Trabalho na área há mais de 20 anos, tudo que sei, aprendi fazendo”, conta. Mesmo sabendo que cada vez mais o mercado procura por profissionais com cursos de capacitação, ele não se assusta. “Meu curso profissionalizante foi feito nesses longos 20 anos de trabalho como serralheiro. Aprendi o que os novos procuram nas escolas dentro dessa oficina”, garante.

Em Bauru, as unidades do sistema “S”, escolas particulares que trabalham com a formação profissional e ainda as instituições ligadas ao poder público, estadual ou municipal, garantem a qualificação e o aperfeiçoamento de milhares de jovens e adultos para o mercado de trabalho. A duração dos cursos varia bastante: de uma semana até três anos de estudo.

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Poder público proporciona formação a jovens e adultos

Diversos cursos técnicos industriais, profissionalizantes e de formação estão disponíveis a jovens e adultos interessados em buscar uma vaga no mercado de trabalho. De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, quase 1.100 jovens residentes em diversos bairros da cidade conseguem o acesso à primeira formação profissional através dos cursos oferecidos gratuitamente pelo próprio município.

Os cursos ocorrem em diversas áreas, como administrativa, de alimentação, prestação de serviços, estética e artesanato. Cada entidade possui uma ou várias destas áreas. O Programa de Inclusão Produtiva tem como finalidade fomentar a formação de empreendimentos populares solidários auto-sustentáveis, por meio do desenvolvimento de competências técnicas, humanas e gerenciais, a fim de fortalecer a autonomia e promover a inclusão social. O programa é dividido em três fases: Serviço de Preparação para o Trabalho e Renda, Serviço de Incubação de Empreendimentos Populares Solidários e Serviço de Microcrédito.

As escolas técnicas (Etecs) oferecem cursos profissionalizantes gratuitos que também têm o objetivo de preparar os participantes para a disputa de vagas existentes no mercado. O ingresso é feito através da aprovação em vestibulinho. Formação em diversas áreas como administração, enfermagem, informática, logística, segurança do trabalho, contabilidade, marketing e secretariado são oferecidos.

Em Bauru, a escola Técnica Rodrigues de Abreu oferece cinco cursos, já a Astor de Matos Carvalho ministra outros três cursos no prédio da Escola Estadual Professor Christino Cabral. Os concluintes do cursos recebem certificado de conclusão do Centro Paula Souza.

O Centro Técnico de Informática (CTI), ligado ao campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), também oferece cursos técnicos industriais com duração de três anos. Aberto para alunos de Bauru e região, o ingresso nos três cursos disponíveis na unidade de Bauru - informática, eletrônica e mecânica - só pode ser feito por meio dos vestibulinhos. O concluinte recebe diploma de formação técnica da Unesp.

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