O Palmeiras conseguiu na tarde de ontem mudar um roteiro que parecia já ter o final escrito. Com um gol do zagueiro Maurício Ramos nos acréscimos, o triunfo por 2 a 1 sobre o Vitória, no Palestra Itália, acabou com um jejum de cinco jogos sem resultado positivo e evitou novas críticas da torcida palmeirense. As vaias que começaram a ecoar na volta do intervalo, com direção ao técnico Vanderlei Luxemburgo, não tiveram continuação após a partida.
A última vez que o Palmeiras havia vencido fora na estreia do Brasileirão, nos 2 a 1 sobre o Coritiba, no dia 9 de maio. Depois disso, foram três empates e duas derrotas. E a relação entre torcida e time piorava a cada partida. Mas o resultado positivo evitou uma crise palmeirense, deixando o time com oito pontos no campeonato - o Vitória, por outro lado, ficou estacionado nos nove.
No domingo, os torcedores palmeirenses fizeram a sua parte. Gritaram os nomes do jogadores, cantaram o hino do clube, apoiaram e empurraram o time dentro de campo. O resultado final fez com que eles pudessem ir embora com o sorriso no rosto e aliviados com o fim do jejum de vitórias da equipe. Ao menos por um jogo, as vaias não ganharam coro no Palestra Itália.
Na terça-feira, Luxemburgo leva o grupo para Atibaia, no interior de São Paulo. Viaja aliviado com a vitória. Os dias serão de muito trabalho até o confronto contra o Cruzeiro, domingo, pelo Brasileirão, e o decisivo jogo com o Nacional, no dia 17 de junho, em Montevidéu, no Uruguai, na volta das quartas de final da Libertadores - como ficou no 1 a 1 na primeira partida, o Palmeiras precisa vencer ou empatar por mais de dois gols para garantir a classificação na fase seguinte.
Dessa vez, os palmeirenses devem agradecer principalmente ao goleiro Marcos e aos atacantes do Vitória para não verem outra derrota do time. O time baiano foi superior em campo, mas abusou das falhas na hora de concluir para o gol: o jogo, por exemplo, poderia ter terminado 5 a 2 para os visitantes. Marcos, porém, foi novamente o destaque do Palmeiras.
As atuações
Se tem algo que não falta aos palmeirense é garra. O volante Pierre é o exemplo da raça: não há bola perdida para ele. Ontem, no entanto, faltou técnica e padrão tático ao time. No primeiro tempo, o Vitória só não fez 1 a 0 porque Marcos realizou milagre na cabeçada de Roger - e a arbitragem não viu que o goleiro tirou a bola de dentro do gol.
Logo no primeiro minuto da etapa final, Marcos fez nova boa defesa em chute de Leandro Domingues, mas a bola sobrou para Apodi abrir o placar para o Vitória. O contra-ataque bem realizado pelo time baiano não se repetiu depois. E o técnico Paulo César Carpegiani não deveria culpar a arbitragem pela derrota do seu time: se os atacantes não desperdiçassem as chances que criaram, o resultado seria outro.
O Palmeiras não atuou bem, mas também foi para frente. Desorganizado, é verdade, mas com o sucesso não alcançado pelo adversário. Aos 20 minutos, o paraguaio Ortigoza saiu na cara do goleiro Viáfara e empatou o jogo. E já aos 46, quando muitos já não acreditavam na virada palmeirense, a bola foi levantada na área e o zagueiro Maurício Ramos, de cabeça, fez 2 a 1.
Na comemoração, Maurício Ramos correu ao banco de reservas para abraçar Luxemburgo e o atacante Keirrison (já tinha sido substituído), os dois que ganharam vaias da torcida anteriormente. E a festa que não se via no Palestra Itália havia um mês aconteceu.