Economia & Negócios

Preço do leite deve chegar a R$ 2,80

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

A tendência do preço do leite longa vida nas prateleiras dos supermercados em Bauru é estabilizar-se apenas no início do próximo mês. Até lá, a previsão é de que o consumidor terá de desembolsar até R$ 2,80 pelo litro, quantia muito acima da média atual de R$ 2,50. Um aumento de 12%.

Neste ano, a entressafra - de maio a agosto - foi apenas um dos fatores que fizeram o leite ficar escasso, provocando a alta para o consumidor final, principalmente em função da lei da oferta e da procura.

A rápida alta no preço, nos últimos 60 dias, deve-se a um contexto de instabilidade na cadeia produtiva no Estado. O produtor de leite João Pacheco de Almeida Prado lembra que primeiro o aumento chega para o consumidor final e, posteriormente, os laticínios tentam remunerar melhor o produtor, para que ele seja estimulado a produzir mais.

Prado reforça que o mercado paulista sentiu a diminuição da oferta do produto produzido no Rio Grande do Sul e, em parte, no Paraná. A produção leiteira nesses Estados foi abalada pela seca do começo de maio. O produtor confirma a diminuição da oferta de leite no mercado devido a problemas financeiros enfrentados por importantes laticínios de São Paulo.

Ele aponta que a venda de uma grande indústria que abastecia a região de Bauru também prejudicou a oferta. “O próprio governo paulista, que estava colocando mais leite, também diminuiu a quantidade que está fornecendo ao mercado. Isso abalou a estrutura dos pequenos laticínios, que dependiam dela para fazer caixa e pagar melhor o produtor”, acrescenta.

Prado explica que grandes pecuaristas pararam de produzir. A Argentina também freou a exportação de leite para o Brasil, devido a problemas de abastecimento no mercado interno. “Já vinha num processo de desativação e quebra do sistema. Então, não tem mais jeito. Só pode melhorar”, define Prado, que entrega pouco mais de 2 mil litros mensais aos laticínios.

Em uma rede de supermercados com lojas em Bauru e região, a manutenção do preço ao consumidor só foi possível graças ao estoque, adquirido há 60 dias. Atualmente, a loja em Bauru consegue oferecer preços entre R$ 2,10 e R$ 2,60.

O consultor de estratégia e marketing da empresa, Guilherme Rodrigues Cunha, atribui a alta dos preços do leite à pressão sobre milho e soja - commodities -, além dos problemas citados por Prado. Cunha explica que a tendência de alta dos preços neste ano chegou mais cedo e, estima-se, irá frear antes do final da entressafra. “Acho que na primeira quinzena de julho essa tendência de alta já deva cair. Por conta da entrada do leite do sul”, projeta.

A empresa repassa ao consumidor preços médios mantidos com o estoque adquirido antes a um valor menor do que o produto comprado com o reajuste atual da indústria. “Fizemos uma compra antecipada quatro vezes maior do que normalmente a gente realizaria já prevendo isso e temos leite num momento em que o produto está estourando”, finaliza.

Para o consumidor

Alecsandro Dias, gestor de compras de outra grande rede de supermercados em Bauru, projeta que o valor do litro de leite para o consumidor chegará a valor entre R$ 2,70 e R$ 2,80. Como o mercado ainda está carente de oferta, Dias acredita que o valor pode se estabilizar. “A previsão no momento ainda é de aumento até o final deste mês”, explica.

Para Dias, haverá problema caso grandes empresas consumidoras de leite, como Nestlé, aumentem sua busca pela matéria-prima enxugando o que ainda há disponível no mercado. “Vai acabar faltando e haverá mais essa crise”, sugere.

Ele adquire, em média, de 700 mil a 800 mil litros de leite longa vida por mês para abastecer oito lojas em Bauru e Marília. Dias comenta que, na última semana, a indústria cobrou R$ 2,20 em média por litro do leite longa vida. Para o consumidor final, o valor mínimo é de R$ 2,30. “Os leites mais especiais estão um pouco mais caros”, ressalta.

Ele comenta que o preço atual para o consumidor reflete um pouco o estoque comprado há cerca de 30 dias. Porém, aguarda reajuste para novas compras.

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Produtores podem viver momento de recuperação e aumento por litro

Os valores pagos aos produtores são inversamente proporcionais ao preço alcançado pelo produto na prateleira dos supermercados. Em madrugadas da semana passada, geou nas baixadas da região de Bauru, o que prejudica as pastagens e derruba a produção diária de leite do rebanho.

Conforme o produtor de leite João Pacheco de Almeida Prado, o valor pago pelo litro ao produtor pelos laticínios deverá sofrer um aumento e poderá chegar a R$ 0,80. “De uma maneira geral, eu acredito que até agosto chegue a esse preço”, explica. Esse valor é o mínimo estimado pela Associação Brasileira dos Produtores de Leite para que o produtor não tenha prejuízo.

Com a estiagem, o gado precisa de alimentação suplementar à base de milho e soja, que são commodities com preços elevados devido à pressão do mercado internacional.

Filiado à Associação dos Produtores de Leite de Marília e Região (Aprumar), Prado explica que, em maio, o produtor recebeu pelo litro de leite de R$ 0,58 a R$ 0,63. Neste mês, já houve uma melhora, com o produtor recebendo de R$ 0,68 a R$ 0,75. Ele considera esse aumento significativo, porém ainda está longe do ideal.

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