O grupo Alcoólicos Anônimos (A.A.) completa 74 anos de fundação, amanhã. Atuante em mais de 150 países, a irmandade funciona por meio de 97 mil grupos. Em Bauru, a entidade foi criada há 35 anos e conta com dois grupos em atividade. Apesar de ser gratuito e voltado para homens e mulheres, na cidade apenas 3% das pessoas que procuram ajuda para abandonar o alcoolismo são do sexo feminino.
Maria é um nome fictício usado pela reportagem para contar a história de uma mulher de quase 50 anos, que foi ajudada pelo A.A.. Com o fim de seu casamento, ela começou a beber, mas nenhum de seus filhos sabiam. “Comecei a beber no processo de separação. Quando eu bebia, me anulava. Para mulher é mais difícil procurar ajuda. Acredito que o preconceito é maior”, conta. “Percebi que precisava ser ajudada quando procurei o A.A. para tentar ajudar uma outra pessoa. Quando cheguei lá, vi que estava na mesma situação”, acrescenta.
Maria faz parte da irmandade há seis anos. Passou por tratamentos psicológicos e psiquiátricos, quis deixar o vício e, hoje, leva uma vida normal. Tem um bom emprego e bom relacionamento social. “O alcoolismo é uma doença que não tem cura, sobrevive quem não toma o primeiro gole. Por isso, acredito na força do programa espiritual usado pelo A.A.”, revela.
“Aprendi a ter autoconfiança e a viver o hoje. Geralmente, o alcoólatra é ansioso e sofre pelo ontem e pelo amanhã. Graças a Deus, não cheguei a perder nada, mas tive força de vontade e estou no grupo até hoje porque aprendo uma coisa nova a cada dia”, complementa Maria.
Segundo João, também nome fictício de um homem que procurou ajuda há 20 anos e atualmente ajuda na coordenação e nos trabalhos realizados por um dos grupos de Bauru, o A.A. não faz distinção de cor, raça, sexo, opção sexual ou idade, aceita todos. “Para o tratamento dar certo, a pessoa precisa admitir que tem problema de alcoolismo e depois querer parar de beber. Se não tiver essas duas atitudes fundamentais, não dá certo”, explica.
Talvez isso justifique o por que apenas 2% das pessoas que procuram o A.A. continuam o tratamento e deixam o vício da bebida. Na cidade, a reunião do grupo realizada na avenida Cruzeiro do Sul, no Jardim Redentor, reúne cerca de 25 pessoas. Já o grupo Caminho da Vida, que realiza as reuniões na rua Bandeirantes, no Centro, tem 18 pessoas.
____________________
Método adota ajuda mútua
Os Alcoólicos Anônimos (A.A.) adotam método para recuperação do alcoolismo do grupo no qual os membros ajudam-se mutuamente, compartilhando experiências semelhantes em sofrimento e recuperação do vício. A irmandade se preocupa com a recuperação social e a contínua recuperação individual dos alcoólicos que procuram socorro.
O movimento não se dedica à pesquisa sobre alcoolismo, ao tratamento médico ou psiquiátrico. Trabalha com a política de “cooperação, mas não afiliação” com outras organizações que se dedicam ao problema do alcoolismo. Para ser membro da irmandade não há taxas ou mensalidades.
Para os A.A. o alcoolismo é uma doença física, mental e emocional progressiva e incurável que, se não for detida a tempo, termina fatalmente na loucura ou na morte prematura de seus portadores.
O método trabalha com 12 passos essenciais para a recuperação do alcoolismo. Não são teorias abstratas, mas sim baseadas na experiência de êxitos e fracassos dos primeiros membros dos A.A.. Há também 12 tradições, que são princípios sugeridos para assegurar a sobrevivência e o crescimento de milhares de grupos que compõem a irmandade.