Cultura

Banda Gurus apresenta sua ‘Evolução’

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Alguns podem ler esse nome pela primeira vez, mas a trajetória desses “guias sagrados” vem de longe. Entre idas e vindas, o Gurus, formado há 10 anos, lança, neste mês, seu terceiro disco. Mais abrasileirado, o som de “Evolução”, como o próprio nome sugere, vem marcar nova fase do grupo, que, depois de “Até o Fim do Mundo” e “Ultra.Sensorial” - seus primeiros trabalhos -, retomou as atividades há dois anos.

“Guru é o cara que sabe tudo? Não. É aquele que divide as experiências com as pessoas. Ficamos todos muitos presos, hoje em dia, em nossas casas, apartamentos e condomínios, e temos a necessidade de contar o que aprendemos e vivemos, mas não temos para quem. Isso tem muito a ver com a nossa proposta. Por intermédio da música, queremos trocar essas experiências e aprender com essa troca.” É assim que o vocalista Guto Dufrayer apresenta a banda, em entrevista ao JC Cultura.

Após emplacar a música “Até o Fim do Mundo”, na trilha sonora de “Malhação”, exibida pela Rede Globo, um ano depois de gravar seu primeiro disco independente, o Gurus ganhou notabilidade ao assinar com a Universal Music. Em 2003, veio “Ultra.Sensorial”, mas por divergências entre os integrantes e a falta de estrutura interna para suportar o sucesso repentino, o quinteto se desfez, dois anos depois, assim como o contrato com a gravadora.

“Percebemos que tínhamos crescido, mas não tínhamos estrutura para esse crescimento. Éramos amigos desde a adolescência e isso nem sempre dá muito certo na arte. Resolvemos, então, dar um tempo para reciclar”, explica o músico. Hoje, além de Dufrayer e B.G. Alex (guitarra e vocais) - da formação original - formam o Gurus os músicos Gui Tettamanti (bateria) e Serginho Ferreira (baixo e vocais), ex-guitarrista do LS Jack.

Para o vocalista, “Evolução” tem, em suas faixas, mais do rock brasileiro e a “cara” de cada integrante. “Tínhamos uma influência muito grande de rock britânico no disco anterior, um som que curtimos, desde U2, coisas mais antigas, a mais modernas, como Keane. Em 2004, passei um tempo pela Europa, e, como compositor da banda, o trabalho trouxe bastante dessa influência. Nesse disco, resolvemos nos recolocar, fazer como a gente é. E o resultado foi uma salada musical mais interessante, um disco mais quente e que teve mais espaço para todo mundo contribuir. Foi um disco feito com o nosso tempo e marca realmente um estágio novo para gente”, descreve o vocalista.

“A Vida é Um Presente”, faixa que abre o CD, e “Por Você”, primeira música de trabalho, são os destaques entre as 12 canções de “Evolução”. A primeira conta com a participação de Herbert Vianna e, segundo Dufrayer, foi feita para mostrar o valor esquecido da vida. “Eu meio que fiz a música para ele mesmo, mas não tive coragem de apresentar na época. Fiz muito pensando nas pessoas que não percebem que a vida não é esse pânico todo que a gente vive. O Herbert é um exemplo muito grande de que nós podemos viver bem, mesmo com tantas dificuldades”, comenta.

O álbum conta ainda com “Terra de Ninguém”, que aborda a falta de coragem de um homem; “Brincar de Te Perder” sobre querer encontrar uma pessoa; “A Resposta”, que tem a ver com solidão, e “Miss Sunshine Dance da Internet” com ares de crônica dos dias atuais em que as pessoas se encontram por meio dos computadores. “É um disco para, digamos, respirarmos por alguns momentos, dentro dessa loucura toda que a gente vive”, convida Dufrayer.

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho do grupo pode acessar o site www.gurus.art.br.

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