Internacional

Ataque no Paquistão mata ao menos 11

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Islamabad - Um atentado suicida com um caminhão-bomba contra hotel de luxo em Peshawar, no conflagrado noroeste paquistanês, deixou ontem pelo menos 11 mortos e 70 feridos. O ataque não foi reivindicado, mas tem as características das ações do Taleban, contra quem o Paquistão trava ofensiva militar.

Segundo testemunhas, três homens em um caminhão abriram fogo contra seguranças na entrada do Pearl Continental Hotel antes de detonar meia tonelada de explosivos. A explosão abriu enorme cratera no local e demoliu parte do prédio. Imagens de TV mostraram que parte do hotel foi demolida na explosão. Uma grande cratera foi aberta no solo.

“O chão tremeu. Pensei que o teto cairia sobre mim. Saí correndo e vi pessoas em pânico. Vi sangue e pedaços de vidro por tudo”, disse um hóspede.

Em setembro do ano passado, um ataque similar contra o Marriott, na capital, Islamabad, causara mais de 50 mortes.

“Não nos renderemos. A unidade e a integridade do país estão em jogo’’, disse a porta-voz do presidente Asif Ali Zardari.

Peshawar, a principal cidade da região, com 2,2 milhões de habitantes, fica a poucos quilômetros da porosa fronteira com o Afeganistão. Na última sexta, outro ataque suicida, em mesquita lotada em local próximo, deixou pelo menos 30 mortos.

Desde o final de abril, o Exército paquistanês promove uma ofensiva contra o Taleban no vale do Swat e entorno em reação ao avanço do grupo radical islâmico a áreas a cerca de 100 km de Islamabad. A ação tem gerado ataques de insurgentes. Desde maio, quando a ofensiva foi intensificada, pelo menos 1.300 insurgentes e 105 militares morreram, diz o Exército.

O governo Barack Obama considera o conflito contra o Taleban na região de fronteira entre Afeganistão e Paquistão o foco do combate ao terrorismo.

Apoio interno

Até recentemente, o governo paquistanês resistia às intensas pressões dos EUA por temer a desaprovação da população. A percepção local parece, porém, estar mudando. Moradores têm formado milícias para perseguir insurgentes. Desde a última sexta-feira, após o ataque à mesquita, pelo menos 25 insurgentes foram mortos, segundo o Exército, que realiza bombardeios aéreos em apoio.

Consulado americano

Um funcionário da ONU (Organização das Nações Unidas) está entre as cinco pessoas que morreram no ataque contra o hotel Pearl Continental de Peshawar. A informação não foi confirmada por representantes da organização. A ONU está profundamente envolvida na prestação de socorro aos mais de 2,5 milhões de pessoas que foram deslocadas pelos combates em Swat e em outras regiões do noroeste do país.

Um dirigente da ONU na cidade disse que uma dúzia de funcionários da organização estava hospedada no hotel, e que alguns deles ficaram foram feridos, mas não relatou nenhuma morte entre eles.

Funcionários do governo americano em Washington disseram que não havia informações sobre qualquer relação entre as negociações para usar o hotel como base diplomática dos EUA e o ataque.

Comentários

Comentários