A visita ao dentista na rede básica de saúde de Bauru corresponde a 31,6% dos atendimentos específicos, realizados nos três primeiros meses deste ano. O segmento é responsável por 33.178 procedimentos, no total de 104.887, e lidera o ranking de atendimentos, ficando a frente de áreas como ginecologia, pediatria, clínico-geral, médico de saúde da família, enfermaria, assistência social, nutricionista e psicologia.
Para o secretário de Saúde, Fernando Monti, o número é explicado em decorrência do município possuir um programa de saúde bucal bastante extenso e grande número de profissionais que atuam nas escolas. “Nossa área odontológica é bem estruturada. Temos atendimento em diversos locais. Isso justifica a grande quantidade de atendimentos. Porém, ainda temos uma demanda de pessoas que não tratam os dentes”, afirma.
A atenção básica em Bauru, na qual está inserida esta visita ao dentista, corresponde a produção de 32,26% dos serviços médicos prestados pela rede municipal no primeiro trimestre deste ano. Além dos procedimentos específicos já citados, a rede ambulatorial do município realizou ainda 258.237 atendimentos de enfermagem.
Atualmente, a Saúde conta atualmente com 52 pontos de atendimento odontológicos, distribuídos nas unidades básicas de saúde, unidades de referência, escolas municipais e estaduais, além de ter uma unidade móvel de atendimento. Entre os pontos de atendimento, está a unidade de atendimento 24 horas, com dois consultórios, localizada no Pronto-Socorro Central.
A pasta ainda possui 120 profissionais, entre dentistas e auxiliares, e também mantém programas de educação e prevenção em saúde bucal, desenvolvidos unidades básicas e escolas, o que certamente tem influenciado na situação da saúde bucal em Bauru. Entre os programas desenvolvidos está o “Sorria Bauru”, que tem atuação nas instituições de ensino.
Segundo a assessoria da Prefeitura de Bauru, o índice de CPDO (dentes careados, perdidos e obturados) de Bauru é de 0,48 para crianças de 7 anos, 0,78 para as de 8 anos, 0,82 para 9 anos, 0,92 para 10 anos, 1,2 para 11 anos e 1,3 para os bauruenses de 12 anos. A pesquisa foi realizada nas escolas em 2007 e o índice é utilizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para medir a saúde bucal da população. A meta proposta pela OMS é que, até 2010, o número possa cair ainda mais, em menos de 1. Em 2020, o índice terá de ser igual ou próximo a zero, ou seja, a erradicação total.
De acordo com dados de pesquisa realizada pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, em 1976, índice CPOD foi de 9,89 em crianças de 12 anos. Em 1993 o índice caiu, em todo o Brasil, para 4,84. Em Bauru, o CPOD em 2001 foi de 1,44 em crianças de 12 anos. Essa queda pode estar ligada principalmente à melhor atenção dada na correta e constante dosagem de flúor na água de abastecimento público e a uma política adequada de saúde bucal.
____________________
Urgência
Na área de urgência e emergência, o atendimento odontológico corresponde a 4,5% do total dos procedimentos realizados em janeiro, fevereiro e março. Dos 88.289 casos contabilizados, 4.049 são relacionados à saúde da boca.
“Parece um contra-senso termos esse número de atendimentos odontológicos, sendo que temos uma boa cobertura na rede básica. Porém, temos de pensar que o principal atendimento no pronto-socorro diz respeito aos traumas. E, geralmente, traumas necessitam de atendimento específico na área odontológica”, diz o secretário de Saúde, Fernando Monti.