Nacional

Fiéis enfrentam a chuva em celebração com tapetes

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Mesmo sob chuva, cerca de 600 pessoas da comunidade católica de Santana de Parnaíba (Grande SP) madrugaram hoje para montar uma das maiores atrações da cidade, os tapetes de serragem de Corpus Christi. A celebração lembra o sacramento do corpo e do sangue de Cristo.

Às 8h, anilinas multicoloridas que tingiram 3.100 sacos de serragem escorriam pelas calçadas do casario histórico da cidade. Os 800 metros lineares de tapete, que davam a volta no centro para o caminho da procissão, ainda eram rabiscos de giz.

O azul-claro que rodearia a figura de Jesus Cristo de uma das cenas ficou verde após a chuva. “O céu tem vários tons de azul”, ponderou João Mauro Machado, 23 anos, indicando à colega um tom marinho profundo. Ele ajuda na montagem desde criança e há seis anos desenha as imagens sacras em giz para que sejam cobertas com serragem.

Sem afobação e com ajuda de capa de chuva, luvas e São Pedro, 600 pessoas como Machado seguiram o trabalho até um raio de sol surgir entre as nuvens, meia hora depois, sob aplausos dos voluntários.

Todos os anos, crianças, idosos, casais e famílias se transformam em artistas de rua e fazem o maior tapete do Estado. Pela primeira vez na montagem, a gerente de marketing Marcela Miragaia, 34 anos, se surpreendeu com seu desempenho. “Estou achando o máximo exercitar essa veia artística que nem eu sabia que tinha”, afirmou, enquanto jogava serragem no que seriam os “Caminhos de Paulo”, com ajuda de um mapa.

Há 16 anos - desde 1993 - não chovia no Corpus Christi de Santana de Parnaíba. “A gente faria de qualquer jeito, a não ser que viesse um temporal daqueles”, disse o secretário municipal da Cultura e Turismo, Luís Alexandre Chiló. Ao acordar, sua maior preocupação era que as comunidades não comparecessem em peso para a confecção do tapete. “Pensei: “Ninguém ganha nada com isso’. Mas todo mundo veio colaborar e, depois, o tempo melhorou.”

Com o sol, a serragem secou e ficou mais colorida. Às 13h, o tapete estava completo e com acabamento impecável. E nem sinal de chuva. “No final dá tudo certo com uma ajudinha lá de cima”, resumiu Ana Maria Pontes Bueno, 34 anos, que montou uma imagem de santa Rita com a irmã e a sobrinha. Foi a 12.ª participação dela na confecção.

A chuva fez a expectativa de público baixar de 70 mil para 40 mil a 50 mil pessoas. “Com chuva ou com sol, venho todo Corpus Christi a Parnaíba para admirar a fé do povo”, afirmou o comerciante José Cândido de Silveira, 42 anos, de Osasco (Grande SP). O filho dele, Victor, 12 anos, adorou o passeio. “Caramba, deve ser muito complicado fazer isso.”

Comentários

Comentários