Bairros

Unesp terá 265 hectares preservados

Por Juliana Franco | Colaborou Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Após o prefeito Rodrigo Agostinho decidir comprar uma floresta urbana de 60 hectares situada ao lado das avenidas Nações Unidas e Edmundo Coube e alguns dias após o governo do Estado promulgar a Lei de Proteção ao Cerrado (que proíbe a derrubada de 50% deste bioma em qualquer propriedade), agora é a vez de outra boa notícia para o meio ambiente em Bauru: a Universidade Estadual Paulista (Unesp) anuncia a preservação de uma grande área da mesma mata em seus domínios.

A área de preservação do cerrado existente no câmpus de Bauru será duplicada e, assim, irá se adequar à nova legislação, embora a decisão já estivesse tomada mesmo antes da nova lei. A área de preservação na propriedade da Unesp passará dos atuais 132 hectares para aproximadamente 265 hectares de reserva legal, em um total de 456 hectares, que é a dimensão total do câmpus. Um hectare equivale a cerca de 10 mil metros quadrados.

A decisão, segundo informa o Departamento de Engenharia Civil da universidade, é parte de um projeto que terá como produto final a construção de uma estação de tratamento de esgoto na instituição (leia mais abaixo). Para que as obras fossem autorizadas, o Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN), órgão da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, exigiu que a Unesp preservasse o cerrado de pelo menos 25% de sua área, requisito que a universidade já cumpria. Agora, com a ampliação da área verde protegida, o percentual de mata nativa que não poderá ser destruída subirá para 58% do total de 456 hectares.

Na próxima semana, o professor Henrique Luiz Monteiro, presidente do Grupo Administrativo do Câmpus da Unesp, deverá registrar em cartório um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para inserir os novos 133 hectares de fragmento florestal, que se juntarão à área de 132 hectares que já estavam preservadas, situadas em sua maior parte na divisa com o Zoológico Municipal e Jardim Botânico, na margem direita da rodovia, sentido Bauru-Jaú, ou seja, no lado do câmpus onde funciona o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (Ipmet) e o centro esportivo.

Duas pequenas glebas, uma de 2,8 hectares, no lado onde estão as principais construções, junto ao Colégio Técnico, e outra de 2,4 hectares, junto à divisa com o Jardim Botânico, se juntarão a uma área maior de 128 hectares, o que totaliza os 133,4 hectares que estão em processo de preservação.

A nova extensão preservada, portanto, será dividida em três áreas - de 128,1 hectares, 2,8 hectares e 2,4 hectares. “Isso significa que 58% de toda a área do câmpus da universidade serão de preservação ambiental. O que não quer dizer que os 42% restantes serão desmatados. Eles vão continuar a seguir nossas normas”, afirma Carlos Roberto Vieira da Costa, diretor de serviços e atividades auxiliares da Unesp.

Segundo o diretor, a regeneração da vegetação da nova área será feita por meio dos galhos, ramagem e todo o material retirado da área de cerrado que será desmatada para a construção da estação, numa espécie de compensação ambiental. No prazo de cinco anos, a regeneração deverá ser concluída, segundo ele. A nova área deverá ser articulada junto à floresta Urbana, projeto desenvolvido pela atual administração municipal, cuja compra de 60 hectares foi anunciada recentemente pelo prefeito. “A iniciativa deu certo no Rodoanel, em São Paulo”, afirma Costa.

De acordo com Monteiro, na atual área preservada do câmpus já foram encontradas espécies que não se via há tempos na região. “É o caso da onça-parda, do gato e cachorro-do- mato. Esses animais já estão dando um equilíbrio à cadeia alimentar da região”, explica.

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