Na opinião do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), o Legislativo, em seus diversos níveis, foi colocado num segundo plano em detrimento dos demais poderes. “Hoje, do jeito que as coisas estão, o Executivo decide e o Judiciário legisla. Às vezes, quando estou no plenário da Assembléia, fico me perguntando: para que serve nosso trabalho?”, diz.
Para ele, atualmente as pessoas possuem uma visão deformada a respeito do trabalho do Legislativo. “Quando vou visitar algum lugar, até mesmo jornalistas, que deveriam ter um olhar mais crítico sobre o mundo, costumam me perguntar: ‘O que o senhor trouxe para nossa cidade?’ - como se a função de um deputado fosse construir postos de saúde ou duplicar rodovias. Ninguém mais quer saber de debate de idéias. O mais triste nisso tudo é que se o político não atuar segundo essa lógica deformada, dificilmente conseguirá se eleger”, lamenta.
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Discussões mornas
Os vereadores admitem que, até o momento, a Câmara não foi palco de grandes discussões. “Como nossas atribuições são limitadas, ficamos esperando que o Executivo envie até nós alguma matéria polêmica, para que possamos nos manifestar”, pondera Marcelo Borges (PSDB).
Na concepção dele, atualmente o debate político da cidade se encontra pautado por questões pontuais. “Falta um projeto mais amplo para a cidade”, lamenta. Roque Ferreira (PT) tem visão parecida.
“Particularmente acho que alguns vereadores deveriam superar a forma paroquial de se fazer política. É necessário, hoje, um novo olhar sobre o exercício do mandato. Os problemas são mais complexos - e debruçar-se sobre eles é uma condição imperativa para contribuir na busca de soluções”, pensa.
Paulo Eduardo de Souza (PSB) também acredita que o debate político na cidade deveria transcender o estágio paroquial. “Temos de responder à seguinte questão: qual modelo temos para o Brasil, no âmbito de Bauru? Mais que isso: que tipo de sociedade queremos construir? Não podemos nos esquecer que cada povo tem a democracia que merece. Os eleitores nos escolheram e, portanto, não podem apenas ficar reclamando da nossa atuação. É preciso cobrar, participar das sessões da Câmara e das audiências públicas. Só assim conseguiremos avançar rumo à solução dos problemas”, defende.