Para Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo da Transparência Brasil - organização que atua no combate à corrupção -, a crise que atinge o Legislativo brasileiro está diretamente relacionada ao clientelismo. “Assim que um prefeito é eleito, via de regra, ‘compra’ sua base, loteando a administração. Não é à toa que, nas câmaras municipais ao redor do País, a maioria dos projetos de lei aprovados são oriundos do Executivo”, afirma.
Em Porto Alegre, por exemplo, 80% dos projetos aprovados ano passado foram propostos pela prefeitura. O clientelismo também faz com que os parlamentares abdiquem de outra função primordial de que são revestidos pelo eleitorado: fiscalizar o Poder Executivo.
“Resta ao sujeito ficar fazendo coisas típicas da politiquinha rasteira como conferir título de cidadão honorário a algum figurão ou propor moção de aplausos ao açougue do bairro”, critica.
O ex-prefeito Nilson Costa, que já fez parte da Câmara Municipal nos anos 50, afirma que, geralmente, quando um vereador é eleito, começa a pensar na próxima eleição assim que toma posse.
Esse olhar nas futuras eleições irá determinar a forma de agir do parlamentar - mais que isso, irá determinar, também, a relação entre os poderes constituídos. “Antigamente, os postulantes a cargos executivos se esforçavam ao máximo para eleger uma bancada numerosa. Naquele tempo, é bem verdade, os grupos políticos tinham uma identidade bem definida e dificilmente se misturavam. Hoje, prefeitos, governadores e presidente não têm mais essa preocupação. É mais simples esperar o resultado das urnas e depois negociar com cada um dos parlamentares a formação de uma base de apoio”, aponta.