Mais um ano que chega, novos rostos surgem e muitos ainda permanecem incansavelmente no esporte. Mesmo que as marcas profundas, enraizadas pelo tempo, digam que é hora de parar. Após 24 anos bem vividos como atleta nos Jogos Regionais, perpassando pelo vôlei, basquete, handebol e atletismo, percebi que ganhar é ótimo, mas não a qualquer preço. O tempo passa, mas os sonhos que alimentam os técnicos que chegam parecem os mesmos em cada modalidade esportiva.
Muitos pais, assim como eu, acreditamos na competência de muitos técnicos que dormem, acordam e se alimentam a cada dia do seu esporte. Mas o que não se pode admitir é a exclusão pela vitória, o sucesso pelo abandono daqueles que ainda estão aprendeendo a essência do esporte. Este ano devo completar a vigésima quinta participação como atleta nos Jogos Regionais, justamente ao completar 40 anos de idade.
Não irei em busca de medalhas, apesar de querê-las, mas atrás das oportunidades, experiências e obstáculos para serem transpostos. O sentimento é o mesmo, assim como no primeiro Jogos Regionais, aos 15 anos de idade. Por que eu continuo? Porque no momento em que tiveram que optar por jogadores de aluguel, que trariam medalhas e status momentâneos, contudo, não possuiam algum vínculo com a minha Bauru, escolheram o menino que estava iniciando e se mostrava apaixonado pela prática esportiva.
Aos senhores técnicos, pais, diretores, presidentes... na hora da escolha façam a melhor opção, não tragam os atletas apenas para este período de jogos regionais, onde muitos irão diretamente para Pirassununga e nem passarão por nossa cidade. Coloquem no jogo aqueles que realmente sabem o que é ser bauruense, porque já estão aqui... e se não são filhos da terra, assim como eu, já o são por adotarem Bauru como sua terra natal.
E os resutados? Cobranças? Vitórias? Medalhas? Isto não é nada perto da felicidade de participar dos Jogos Regionais defendendo Bauru!
Carlos Alberto Gomes Barbosa - educador físico e apaixonado por Bauru