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Ajuda do Japão não faz brasileiro voltar


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São Paulo - Dois meses após o governo japonês começar a oferecer o equivalente a R$ 6.400,00 para que decasséguis (trabalhadores estrangeiros no Japão) retornem a seus países de origem, cerca de 3 mil brasileiros solicitaram a ajuda, de acordo com a embaixada do País em Tóquio. Segundo ela, em torno de 1.300 já haviam recebido o auxílio até anteontem. Após a onda que trouxe entre 40 mil e 50 mil brasileiros de volta, entre o fim de 2008 e fevereiro deste ano, a adesão é considerada tímida. Os números refletem tanto uma resistência à condição imposta inicialmente pelo governo asiático - quem aceitasse não poderia voltar ao país com visto de trabalho “por tempo indeterminado”- quanto a nova situação do brasileiro no Japão.

“Primeiro, quem realmente queria voltar já voltou. Depois, muita gente deu entrada no pedido de seguro-desemprego na esperança de se reempregar por aqui. Agora, que muitos devem parar de receber, talvez aumente novamente o movimento de retorno, mas não na intensidade de antes”, avalia o sociólogo Ângelo Ishi, da Universidade de Musashi.

Para Francisco Freitas, líder sindical de Hamamatsu, “as pessoas estão esperando até o último momento para ver se as empresas começam a contratar. A economia do Brasil também foi afetada, e o País tem seus problemas sociais. O pessoal está preocupado em voltar e não ter emprego também.”

Patrícia Cortes, da Embaixada do Brasil em Tóquio, diz que muitos estão “arranjando bicos ou trabalhando na agricultura”.

A medida foi alvo de duras críticas na época do anúncio, em março - a ponto de o ministro do Trabalho brasileiro, Carlos Lupi, pedir sua revogação. “Na hora em que aperta o calo, somos os primeiros a ouvir: ‘Pode voltar para casa’”, afirmou. Em maio, o Japão cedeu e estipulou o prazo de três anos para que o brasileiro não volte. Desde então, a adesão cresceu.

Mas para o gerente do BB para a Ásia, Admilson Garcia, a adesão não deve continuar crescendo, já que os nikkeis querem a segurança de poder voltar ao Japão em menos de três anos, tão logo os postos sejam reabertos. Garcia diz que os pedidos de transferência de residência da conta bancária para o Brasil têm diminuído, desde o começo do ano. “Gradativa e lentamente, os postos voltam a aparecer. Mas com remuneração menor”, afirma.

A maioria dos brasileiros (a comunidade tinha 320 mil pessoas em 2008) trabalhava nas indústrias automobilística e de eletrônicos -as mais afetadas pela crise- e em regime de trabalho temporário, o primeiro a ser afetado em épocas de instabilidade. A indústria de alimentos, que também absorve muitos brasileiros, resiste, mas não se expande. O setor de serviços, que poderia absorver a mão de obra ociosa, tem um entrave: a maioria não fala japonês.

É por isso que, dentre as medidas de apoio ao brasileiro no Japão (a ajuda ao retorno é apenas uma delas), o governo japonês passou a oferecer cursos gratuitos do idioma, que ainda estão em fase de implantação.

Agricultura

A solução encontrada por alguns brasileiros tem sido a agricultura, preterida pelos jovens trabalhadores japoneses. Dono da empreiteira TS (que encaminha brasileiros para empregos), Walter Saito, 42 anos, viu, no começo do ano, seu quadro de funcionários cair de 450 para 120. Foi quando resolveu realocar os demitidos, da fábrica para a lavoura. São 20 pessoas -incluindo as que fazem bicos em lavouras de japoneses, com salários de 750 ienes a hora (na fábrica, eram 1.100 ienes, ou aproximadamente R$ 22,00).

Marcelo Makiyama, 25 anos, foi um dos que trocaram as autopeças pela agricultura. Até a colheita, vai vivendo do seguro- -desemprego. “Foi uma alternativa que se abriu, a gente está esperançoso.” Se não der certo, afirma, o jeito vai ser retornar.

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