Ser

Minha história: Francisco Octaviano Cardoso Filho, o Quito


| Tempo de leitura: 2 min

Dois anos sem você.

Dizem que com o tempo vamos aceitando a separação. É difícil aceitar. As saudades vão aumentando. Lamentar uma dor passada no presente, é outra dor e sofrer novamente.

Na busca de aumentarmos ou prolongarmos os momentos felizes (56 anos casados), aprendi que falar pode aliviar dores emocionais.

Uma mulher adulta só conhece bons momentos.

São esses instantes simples, mas cheios de significados, que deixaram nossa vida mais leve, mais feliz!

A realidade é demorada. Não é fácil.

Tenho saudades dos dias e das horas abertas ao tempo. Tenho saudades de tudo e todo lugar, só nosso.

Amor é quando a diferença não é capaz de separar.

Minhas noites são tristes, que exprimem a saudade, cada vez maior. Não importa se você está perto ou longe, o que importa é que você existiu para que eu possa sentir sua falta.

Trazendo o passado à tona, em meio ao nosso amor, com os seus e os meus defeitos. Lágrimas, que ninguém as vê.

Eu te conheci como um homem simples, bonito, romântico, honesto, ciumento sim, mas o homem que me conquistou e me fez feliz!

Por que é que para ser feliz é preciso não sabê-lo?

A única certeza que se tem ao nascer é que um dia morreremos. Mas a verdade é que nunca estamos preparados para isso; e não sabemos lidar com nossos sentimentos, emoções e a sensação de perda.

Este amor que existiu e que foi cortado de uma hora para outra, não é fácil de esquecer.

E tu te agasalhaste no Espaço, tão suavemente, sereno, simplesmente para eu não sofrer.

Há tempos, li algo que achei bonito e verdadeiro: “As pessoas que amamos, devemos deixar sempre com palavras amorosas. Pode ser a última vez que as vejamos”.

Gosto de sonhar.

Sem sonhar, as perdas se tornam insustentáveis, os fracassos se transformam em golpes, as pedras no caminho machucam, principalmente nós que chegamos juntos a mais de 80 anos; com muito romance. Nosso amor discreto.

Não queríamos parecer mais jovens, gostávamos de nos sentir assim, redescobrindo a vida.

A nossa idade significa que sobrevivemos a nós mesmos. Os acontecimentos iam voltando à memória...

Nossas filhas - Patrícia, Beth e Maninho, como são e foram amados.

Queríamos somente que fossem felizes!

Nós curtimos nossos filhos enquanto pudemos; depois desfrutamos a vida a dois novamente.

Na ausência deles, que buscaram seus próprios caminhos, nos descobrimos mais velhos, porém, mais amantes.

Não há nada no mundo que possa valer mais que - “amo você”. Um momento como esse fica gravado na memória para sempre.

Eu sou a mesma que você deixou.

Promessas cumpridas - não duvides nunca.

Quero você. Não sei ao certo quando vamos nos encontrar... Ele que sabe.

Abraça-me.

Hilda Ap. Menezes Cardoso

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