Bairros

Voluntários fazem sopa para famílias carentes

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

A distribuição de sopa feita por voluntários e distribuída às famílias carentes que residem no Núcleo Nova Esperança em bairros vizinhos acontece o ano inteiro, mas nessa época, a procura é muito maior. De acordo com Irani de Paula, coordenadora de uma das equipes de voluntários, cerca de 80 pessoas se alimentam todos os dias na Creche Berçário e ainda levam sopa para casa.

A ação desses voluntários persiste há cerca de 30 anos. Diversas pessoas já passaram por lá, fizeram parte das equipes e há até pessoas que antes se alimentavam com a sopa servida e hoje são voluntárias.

Iraci de Oliveira é uma dessas pessoas que por muito tempo se alimentaram da sopa distribuída gratuitamente no local. “Perdi a conta do tempo em que fiquei vindo aqui todos os dias para conseguir um prato de comida. Graças a Deus, hoje tenho minha família e posso colaborar para que essa ação nunca termine”, diz Oliveira. Pelo menos quatro dias da semana, a voluntária acha espaço entre os afazeres domésticos para colaborar com o projeto voluntário.

Além da sopa, é servido também pão fresquinho adquirido com as doações feitas pelas próprias voluntárias. “Teve uma época em que algumas empresas nos ajudavam, mas agora que praticamente quem banca a sopa somos nós, apenas a creche doa os legumes que sobram na alimentação das crianças para nos ajudar”, lamenta. Apesar das dificuldades, a sopa servida é bastante encorpada e traz uma variedade grande de legumes.

“Tem sempre batata, cenoura, mandioca, chuchu, abobrinha, tomate, pimentão e nunca falta uma carne que a gente mesmo compra”, conta Paula. “Mesmo com tanta dificuldade a gente ainda consegue variar o cardápio, tem sempre macarronada e polenta com molho de salsicha”, completa.

Cursos

Além de servir a sopa de segunda a sábado para as pessoas carentes, os voluntários oferecem junto com outras pessoas cursos profissionalizantes de computação e manicure, além de servir um lanche para quem participa.

“A gente tem um relacionamento afetivo muito forte com as pessoas que vêm aqui todos os dias e eles também estão muito ligados a nós” afirma Paula, coordenadora do grupo que trabalha toda sexta-feira.

Ela conta que as voluntárias que preparam a sopa também separam em suas casas agasalhos, meias e cobertores para doar às pessoas que estão sempre lá. Além de servir a sopa e oferecer para que as famílias levem para casa, as voluntárias, sempre que podem, também preparam uma sacolinha com legumes para serem preparados na casa dessas pessoas.

Osmarina Casemiro Leme faz todos os dias uma longa caminhada para garantir a sua alimentação e da família, já que sempre leva um pouco de sopa para casa. Moradora do Jardim Andorfato, ela conta que apenas o marido trabalha e que para garantir o alimento para os três filhos não deixa de freqüentar a distribuição da sopa. “Eu levo a sopa e à noite esquento para meu marido e para os três filhos”, conta.

Rosemeire Nascimento, ao contrário de Leme, não anda tanto para poder tomar a sopa servida pelas voluntárias. Moradora do Parque Jaraguá, ela conta que graças ao trabalho das voluntárias que ela considera suas amigas, ela e outros cinco membros da família por muitas vezes não passaram fome. “Talvez elas não saibam a importância que esse prato de comida que elas servem tem para a gente que precisa”, define.

Além de servir as famílias carentes, as voluntárias também atendem os moradores de rua que vivem perto da creche. “Eles chegam a tomar quatro ou cinco pratos da sopa, é a única refeição que terão no dia”, lembra Paula.

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