Economia & Negócios

Motoristas rejeitam proposta

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Os trabalhadores do transporte coletivo de Bauru decidiram, mais uma vez, pela greve. Em votação apertada, 266 votos contra e 244 a favor, os motoristas e cobradores de ônibus recusaram a proposta de reajuste salarial apresentada pelas três empresas que exploram o serviço na cidade.

A totalização dos votos foi concluída às 19h de ontem, na sede do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte de Bauru e Região (Sindtran). Com o resultado, a expectativa é que a categoria cruze os braços a partir da próxima sexta-feira, caso as empresas não apresentem uma nova proposta.

Segundo o presidente do Sindtran, José Rodrigues da Silva, amanhã a Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) – que reúne as três concessionárias do setor na cidade – será notificada oficialmente sobre a decisão dos trabalhadores. A greve só deve ser deflagrada 72 horas após este comunicado ser protocolado.

“Nesse período, vamos esperar um posicionamento da empresa. Caso eles apresentem uma proposta decente, iremos analisar. Se não se manifestar de acordo com o que a categoria está reivindicando, haverá paralisação”, afirma.

Na semana passada, durante uma audiência de conciliação, o desembargador Luís Carlos Cândido Martins Sotero da Silva, presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15.ª Região, sediado em Campinas, propôs aumento salarial de 7%, tíquete-refeição no valor de R$ 210,00 e participação dos lucros no valor de R$ 480,00, pago, em duas parcelas iguais de R$ 240,00. Além disso, sugeriu a garantia de horas extras remuneradas com o adicional de 50% nos dias normais, 100% nos feriados e 110% nos dias de folga, além da formação de uma comissão mista de estudos sobre jornada de trabalho e a contratação de cobradores.

A Transurb aceitou o reajuste proposto, assim como as remunerações de hora extra e a criação da comissão. Porém, não aceitou os valores de tíquete-refeição e de participação de lucro. Após a audiência, em conversa com o Sindtran, a Transurb ofereceu R$ 200,00 para o tíquete e R$ 460,00 para a participação nos lucros. Foi esta a proposta votada ontem pela categoria, em mais um capítulo de uma novela que se arrasta há mais de um mês.

Negociação

Nas duas últimas semanas, duas tentativas de conciliação entre Sindtran e Transurb culminaram em rejeição da proposta por parte dos trabalhadores. Inicialmente, a Transurb havia proposto somente a reposição das perdas causadas pela inflação, com reajuste de R$ 5,83% referente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

A demanda dos trabalhadores é reajuste de 16%, R$ 600,00 de participação nos resultados (que atualmente é de R$ 120,00) e R$ 300,00 de tíquete-refeição, que atualmente é de R$ 150,00. “Esta já não é a primeira vez que a categoria se posiciona contra a proposta da empresa. Acredito que já é hora de os patrões entenderem que estamos descontentes e tomarem uma decisão coerente para não prejudicar ninguém”, frisa o presidente do sindicato.

Em caso de greve, conforme ficou determinado em audiência de conciliação, o sindicato se comprometeu a manter o funcionamento de 70% da frota nos horários de pico - das 6h às 9h e das 17h às 19h30 - e 50% nos demais horários, sob pena de pagamento de multa diária de R$ 50 mil, em caso de descumprimento. Se ocorrer, a paralisação deve durar, pelo menos, até o julgamento do dissídio coletivo instaurado no TRT, o que deve ocorrer na próxima semana.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Transurb informou que só irá se manifestar quando for comunicada oficialmente sobre a decisão da categoria.

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