Regional

Usineiro de Ourinhos é acusado de desmatamento na Amazônia

Aurélio Alonso e Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Ourinhos - O grupo dos irmãos Quagliato de Ourinhos está na lista dos fazendeiros e frigoríficos acusados de desmatamento na Amazônia legal. O Ministério Público Federal (MPF) rastreou as empresas da cadeia da pecuária que contribuem para a devastação na Amazônia. Pela primeira vez, por meio de pesquisa nos registros de compra e venda de bois, foi possível comprovar quem comercializa os rebanhos criados em áreas desmatadas ilegalmente.

Da região de Bauru estão o frigorífico Bertin de Lins e o grupo Quagliato, cuja família é proprietária da Usina São Luiz em Ourinhos. Eles são donos da fazenda Rio Vermelho, na região de Xinguara, a 600 quilômetros da capital do Pará, Belém.

Na década de 90, eles ficaram conhecidos de “Reis do Gado”.

O trabalho feito pelo MPF, com auxílio do Ibama, mapeia desde a fazenda que engorda o gado em pastagens ilegais, passando pelo frigorífico que abate, processa e revende subprodutos bovinos, chegando até as indústrias de materiais de limpeza, de calçados, de couros, de laticínios e supermercados que utilizam e comercializam os bois da devastação.

O MPF iniciou 21 processos judiciais contra fazendas e frigoríficos, pedindo o pagamento de R$ 2,1 bilhões em indenizações pelos danos ambientais à sociedade brasileira.

Sessenta e nove empresas que compraram os subprodutos dos frigoríficos receberam, por enquanto, notificações, em que são informadas oficialmente da compra de insumos obtidos com desmatamento ilegal na Amazônia.

Francisco Quagliato Filho, diretor do grupo acusado pelo MPF, disse ontem à tarde que a família ainda não foi notificada oficialmente pelo órgão. “Nós não sabemos ainda do que estamos sendo acusados porque isso é uma ação civil, não é um processo. Então, nós precisamos ser citados primeiro para saber do que estamos sendo acusados”, diz. “Estamos aguardando, nossos negócios, nossos procedimentos estão normais. Nossas vendas aos frigoríficos estão normais e por enquanto está tudo em ordem”, completa.

A maior indenização refere-se ao caso da fazenda Rio Vermelho, da família Quagliato, em Sapucaia, que pode ter de pagar mais de R$ 375 milhões.

A Bertin informou na sexta-feira em nota que seu programa de compra de gado prevê a verificação diária das áreas embargadas pelo Ibama nas listagens oficialmente divulgadas, cumprindo assim as exigências previstas na legislação ambiental aplicável.

Um estudo sobre Causas do Desmatamento na Amazônia, do Banco Mundial, aponta que a intensa migração de criadores para o Norte a partir da década de 90 transformou a pecuária na maior causa de derrubada de matas na Amazônia. A atividade passou a ser malvista e combatida por organizações não-governamentais internacionais que defendem o meio ambiente.

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