Tribuna do Leitor

Entediante rotina


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É rotina nesta nossa Ilha de Vera Cruz o que, mais uma vez, está a se repetir nesta Cidade Sem Limites. Por conseqüência, mais uma vez nos mais de 20 últimos anos, a rotina, desafortunadamente, se faz presente nesta administração Rodrigo Agostinho/Estela Almagro (PMDB/PT). A dupla, que, aliás, é puro governo federal, eleita para exercer o poder do Executivo municipal (não há engano, não; é isso mesmo!), rascunhou, desenhou e pintou um lindo mundo azul e de sonhos que se descortinaria neste município, se eleita fosse para dirigir nossos destinos. As verbas, a fundo perdido, cairiam dos céus como caíam o maná e a ambrosia para alimentar o povo de Deus. Devaneios bem mais que eleitorais, eleitoreiros...

Passada a euforia da vitória, o deslumbre da posse e já perto de seis meses da dupla no governo, as esperadas e inevitáveis dificuldades começam a surgir. As promessas de campanha, de verbas abundantes e gratuitas baseadas na presumível proximidade dos dois eleitos a esse “governo que aí está” (o de Luiz Inácio) e do PT, que apoiou a coligação Rodrigo/Estela, revelam-se, agora, não mais palpáveis, factíveis ou possíveis, simplesmente... As desonerações são esquecidas para que se caia na realidade das onerações: tomar dinheiro emprestado, novamente!

A administração municipal aventa essa possibilidade, como se já não bastassem os viadutos iniciados por Tidei de Lima, ignorados pelas gestões posteriores, abandonados e já deteriorados, que estamos pagando, ainda, nós, os munícipes, com juros e as correções e multas devidas. Pagamentos esses, aliás, inicialmente baseados em erros crassos, calculados em planilhas aprovadas pela gestão Nilson Costa, até que um cidadão do povo, por meio de ação revisional competente, conseguisse embargar tais pagamentos, que foram posteriormente corrigidos. Como sempre, erros contra o Tesouro municipal e a favor de banqueiros internacionais.

Assim têm sido até agora as últimas administrações de Bauru e, tudo indica, continuará a ser a marca do governo municipal que, infelizmente, elegemos e que, ibidem, “aí está”! Se já estamos pagando mensalmente por um serviço de tratamento de esgoto que ainda não temos, é com o acúmulo desse dinheiro, que já soma mais que R$ 25milhões, que deve ser construído e implementado o serviço em causa.

Mas não: a administração quer mostrar ser mais competente do que realmente é, endividando-se para, depois, ver como é que se paga a farra da presunção. Estes não são tempos de querer ser ou dar exemplos para ninguém! Estes são tempos de gerir recursos com parcimônia, responsabilidade e de respeito a orçamentos. Que o município - e não a prefeitura - dê exemplos, quando administrações exemplares assim permitirem. Recorde-se, aqui, que Bauru já foi exemplo para todo o Interior paulista! Bons tempos aqueles...

Se nosso povo tem auto-estima e amor próprio, o que temos a fazer é dizer NÃO à incapacidade de toda essa equipe que está a nos administrar. Basta! Nada há, nesse sentido, o de tomar dinheiro da banca agiota, para ser discutido com a população, como propõe o alcaide. Em nada a atual gestão difere ou diferirá das anteriores dos últimos 20 anos. Resta aguardar para que se verifique a veracidade de minha assertiva. Entendam isso, por amor a Bauru, mesmo os que acreditaram nas promessas feitas durante a campanha à prefeitura, dentre os quais, afortunadamente, eu não me incluo. Não é que seja fácil dizer simplesmente: eu já sabia! Seria bem melhor se eu pudesse dizer que estou enganado...

Outra coisa não nos resta agora senão pressionarmos os senhores vereadores, nos quais votamos, para que inibam, definitivamente, a espúria intenção do prefeito e sua equipe. O meu candidato eleito para a vereança, infelizmente, já não está entre nós! Não tenho mais como recorrer a ele e, por isso mesmo, imploro à edilidade: olhem por nós!

Já diz o dito popular que “promessa é dívida”! Isto posto, que trate a “dupla de promessinhas” de cumprir o prometido em campanha eleitoral pelo rádio, pela televisão e nos seus comitês. O não-cumprimento de promessas empenhadas em campanhas eleitorais deveria exigir, em reciprocidade, a renúncia tácita dos eleitos, por incapacidade ou pelo não comprometimento com a verdade perante o eleitorado de cada um dos candidatos.

A administração anterior fez o máximo que podia para regularizar parte de todas as pendências deixadas por gestões anteriores. Estas eram tantas que foi impossível exterminá-las. Disso, indubitavelmente, todos os candidatos a todos os cargos tinham conhecimento. Assim sendo, que não prometessem aquilo que não poderiam e não deveriam prometer. Que venham os propalados recursos a fundos perdidos. Basta de fazer de contas! O laborioso povo de Bauru merece e exige respeito.

João Guilherme Ortolan

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