A competitividade do mercado de trabalho fez com que uma turma de jovens, com faixa etária em torno dos 18 anos, tomasse uma atitude drástica para garantir participação em curso técnico em Bauru. Preocupados em não conseguir uma vaga no curso de tornearia mecânica oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), os jovens resolveram dormir na fila para ser os primeiros a fazer a matrícula, que começa hoje.
Nove estudantes de Borborema (92 quilômetros, ao norte de Bauru) caíram na estrada e, sem cerimônias, literalmente, de mala e cuia, acamparam na porta da escola do Senai de Bauru. Enfrentando frio e o desconforto de barracas, eles estão certos de que estão em posição privilegiada na corrida por um lugar ao sol no mercado de trabalho.
“Somos de cidade pequena, sem oportunidades, o que nos faz sair. Como a matrícula é por ordem de chegada, chegamos primeiro. Queremos muito (a vaga), para garantir uma profissão”, conscientiza-se Marcus Vinícius Mendes, de 19 anos, ao lado dos colegas ‘campistas’ Adail Bernardo Rodrigues Júnior, de 18, e Wellington José Stein, um ano mais novo.
Entretanto o semblante apreensivo demonstrado pelo trio na véspera da inscrição no curso, que, apesar de não requerer vestibulinho para ingresso exige, entre os pré-requisitos, familiaridade prévia com a área de atuação mediante capacitação anterior, não espanta a alegria juvenil das ‘repúblicas sob lonas’. É o que denotavam as barracas, um camping improvisado, onde os aventureiros até ‘queimaram uma carne’ para relaxar. “Fizemos churrasco, não tem tempo ruim”, empolga-se Marcus.
Preparados para o frio, eles dizem que a temperatura na noite de segunda para terça-feira não foi tão baixa quanto esperavam vista a quantidade de agasalho e cobertores que trouxeram.
Ontem à noite, então, dormir seria ainda mais fácil já que a diretoria da escola abriu uma exceção e acolheu os rapazes em seu auditório.
Apesar da dedicação em busca de uma vaga, o esforço em demasia, para decepção – ou alívio – , dos candidatos foi em vão já que as matrículas, esclarece Ademir Morais Losila, coordenador de cursos do Senai em Bauru, ocorrem mediante a retirada de senhas na secretaria da escola de ensino profissionalizante. “A gente entende, sabe que o mercado é concorrido”, compreende.
Porém, ele ressalva que atitudes como a dos rapazes não são necessárias, apesar de reconhecer que a briga por uma vaga em cursos do Senai é acirrada. “Estão preocupados”, acentua o coordenador, informando que as 2,2 mil vagas divididas em 185 turmas dos cerca de 70 cursos são disputadas por um contingente aproximado de 6 mil candidatos.
No caso dos aspirantes a torneiro mecânico de Borborema, a corrida é por 90 lugares, que, para alívio dos primeiros da fila, está assegurada. “A deles está garantida”, antecipa o coordenador, atribuindo a procura pelos cursos do Senai em virtude do encaminhamento profissional propiciado pela escola. “Muitos alunos saem daqui com ótimas oportunidades de trabalho, grande parte já contratadas”, enaltece.