Paris - O diretor do BEA (Escritório de Investigação e Análise), órgão francês que investiga o acidente com o vôo 447 da Air France, disse ontem que os peritos franceses não estão tendo acesso aos laudos das autópsias dos corpos das vitimas, que vêm sendo examinados em Recife. “Não estou contente”, afirmou Paul-Louis Arslanian.
Segundo ele, um médico legista francês com “muita experiência” em autópsias de vítimas de acidentes aéreos não foi autorizado a participar das autópsias, apesar de ter tido contato com seus colegas brasileiros e franceses. “Espero ter uma explicação’’, afirmou.
Arslanian disse que suas declarações não eram um ataque às autoridades brasileiras, apenas uma constatação. Ele lamentou, porém, não ter tido acesso aos laudos. “No momento, não temos nenhuma informação”, declarou. “Consideramos que essas autópsias são importantes dentro da investigação para determinar o que se passou.”
A Polícia Federal e a Secretaria da Defesa Social de Pernambuco negaram estar dificultando o acesso de especialistas franceses ao trabalho de perícia dos corpos no Instituto de Medicina Legal de Pernambuco. Segundo a PF, não há impedimento para que os franceses acompanhem as autópsias, desde que sigam “as vias legais”, ou seja, que sejam credenciados pela Embaixada da França e pela PF e autorizados pelo governo brasileiro. Várias solicitações de acompanhamento dos exames foram feitas, mas, segundo a PF, apenas quatro peritos franceses obtiveram autorização.
A PF diz que não foram concedidas mais autorizações por “critérios técnicos”. Também considerou que o número já era suficiente e abrangia diversas especialidades. O exame dos corpos é atribuição brasileira.
O avião levava a bordo 228 pessoas. Um corpo, resgatado ontem, permanece em um navio brasileiro na área de buscas, a 1.450 km de Recife. Os seis corpos que estavam em Fernando de Noronha (PE) foram levados a Recife ontem à tarde. Um navio francês resgatou ontem fragmentos de corpos, bagagens e destroços.
Cerca de 400 peças do Airbus da Air France foram resgatadas. A maior dificuldade é achar as caixas-pretas, que no final do mês deverão parar de emitir um sinal sonoro para os radares.