Tribuna do Leitor

Existimos ou não?


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A dúvida assim lançada é quântica. O pioneiro (e principal opositor) da teoria quântica foi Einstein. Ele descobriu que uma partícula (material, corpórea) às vezes se comporta como onda (imaterial, incorpórea). Evoluindo (até hoje, a teoria está evoluindo), no seio da teoria foi descoberta a antimatéria. Paul Dirac previu matematicamente a existência do antielétron ou pósitron, o elétron positivo. Mais tarde, em 1932, a existência do antielétron pôde ser observada experimentalmente.

Dos aceleradores de partículas, hoje emergem bilhões de partículas virtuais (uma partícula virtual dura apenas 1 bilionésimo de segundo). O princípio basilar da teoria quântica é que nada existe enquanto não for observado ou medido. Um pouco antes da teoria quântica, com seu basilar Princípio da Incerteza, Einstein tinha descoberto as duas teorias da relatividade. Em resumo, vivemos em um universo quântico e relativo. As teorias da relatividade e quântica afastaram a idéia predominante do determinismo, tão ao gosto da grande maioria das igrejas, com seu absolutismo dogmático. O método de criação do mundo, descrito na Bíblia, é quântico. Se identificarmos o Criador pela criatura, Deus é um ser quântico. E todos nós somos também seres quânticos, em tese.

E o que tem a ver esse avatar científico com a pergunta existimos ou não? O homem precisa reformar suas idéias sobre a vida, sobre o universo e sobre si mesmo, assim como os físicos tiveram que reformar suas idéias científicas, reaprendendo os novos e revolucionários conceitos, se quisessem assimilar as novas teorias e compreender o universo físico e virtual. Não foi fácil, porque ninguém quer abandonar o barco onde navega tranqüilo, deixando o determinismo, a primazia e os ilusórios privilégios da matéria. A Ciência ainda não assume nem explica totalmente Deus (está muito longe), mas O procura (mesmo sem perceber) e dá os primeiros passos, ainda que tímidos, em Sua direção.

Venício Augusto Francisco, autor do livro “O Destino do Homem”

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