Tribuna do Leitor

A Secretaria de Esporte de Macatuba


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Estive acompanhando por um ano o trabalho feito na “E. E. Dr. Osmar”, o projeto Esporte para todos, da casa da criança. E muito me entristeceu saber que seria findado tal projeto por falta de verba da prefeitura de Macatuba. Não sei se a população local sabia realmente que o projeto era “esporte para todos”! Gostaria de falar um pouco sobre o que pude presenciar deste trabalho. O esporte ali dado era capoeira, aulas ministradas pelo mestre Marcial Pinheiro, da cidade de Barra Bonita, este, professor formado em Educaçao Fisica, concursado pela prefeitura e que recebia o salário sem ajuda de custos. Mas antes gostaria de chamar a atenção dos dirigentes esportivos desta conceituada cidade para que nos desse uma explicação plausível sobre o fim do projeto alegando falta de verbas. Gostaríamos de saber quais são os verdadeiros gastos com este projeto, já que o que nos faz saber somente é pago o salário do professor, como já dito, sem ajuda de custos para combustível ou manutenção do veiculo, já que este vem com veículo próprio, portanto, não há uso de veículos da prefeitura local.

Também não é gasto com uniformes e nem feitas inscrisões para os Jogos Regionais. Seria mesmo a falta de verba ou a falta de cultura esportiva que domina toda população brasileira? Ou seria a falta de lucros para tal esporte, já que este não enche estádios e sim se “joga” ao ar livre, ou em qualquer lugar que se possa formar uma roda. Não há vendas de ingressos, nem pelos cambistas, não se comercializa pessoas, como os antigos escravos, que são vendidos a preços exorbitantes para clubes europeus? Ou seria a falta de conhecimento da nossa cultura, onde Mestre Bimba, Mestre Pastinha ou mesmo Zumbi não foram celebridades, como o rei Pelé ou Ronaldinho? Seria o grande problema a falta de verbas destinadas a tais projetos, ou seria a necessidade de fazer com que nossas crianças cresçam com a ilusão de que este é o país do futebol? Não sei se o secretariado já participou de uma roda de capoeira, onde os instrumentos tocados são feitos de matéria-prima brasileira, onde as “ladainhas” tocadas falam da nossa história, rica em rimas, ricas em conhecimento.

Onde se aprende o respeito, o domínio do corpo, o equilíbrio. Onde na roda não cabe discriminação, onde pude presenciar neste projeto mesmo um aluno deficiente auditivo poder entrar na roda, e com alegria se sentir livre, porque ali o que se aprende é o conhecimento do corpo, onde se fala a linguagem do corpo. Onde se joga com amor e com a alma. Se não presenciaram tal roda ou tal esporte, convido-lhes, antes de qualquer decisão, que façam parte deste esporte tipicamente brasileiro, e assim nos dê uma resposta, se realmente o valor gasto com este projeto é digno ou não. E se a verba é ou não suficiente para pagar o amor e a dedicação de um mestre, sentimentos estes doados pelo Mestre Marcial Pinheiro, que realiza este trabalho. Aguardo realmente uma resposta, com fé que seja a continuidade deste projeto e de muitos outros. Atenciosamente.

Mara Evaristo

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