Geral

Bauru desperdiça 100t de alimentos todos os meses

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Num País em que milhares de pessoas passam fome, o desperdício de alimentos ainda atinge índices inaceitáveis. Somente em Bauru, cidade com aproximadamente 350 mil habitantes, cerca de 100 toneladas de alimentos vão para o lixo todos os meses antes de chegarem à mesa das pessoas.

A estimativa, embora não seja oficial, é baseada na experiência de quem lida com a fome diariamente, como Sandra Carla Mirabelli, gerente de logística do Programa Mesa Brasil, do Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bauru. O projeto coleta mensalmente entre 45 e 50 toneladas de frutas, verduras, legumes e diversos junto a 46 empresas, entre supermercados, Ceasa e produtores rurais. Os produtos doados são aqueles que perderam a aparência exigida pelos padrões comerciais, embora sejam considerados próprios para o consumo.

De acordo com cálculos da organização não-governamental (ONG) Banco de Alimentos, as 3,3 toneladas de alimento jogadas fora por dia em Bauru seriam suficientes para alimentar 1.625 pessoas com café da manhã, almoço e jantar. “Não existem pesquisas que demonstrem a quantidade de alimento jogada fora, mas pela experiência de seis anos do programa, calculamos que o desperdício ultrapasse as 100 toneladas mensais”, comenta Sandra.

Nesta conta, ela inclui o que é descartado pelas empresas que não destinam seus produtos comercialmente desvalorizados e os itens que realmente se degradaram antes de chegarem ao programa. A situação é ainda mais lastimável se for levada em consideração uma outra estatística.

Ainda de acordo com a ONG Banco de Alimentos, aproximadamente 64% de todo alimento produzido no País são perdidos ao longo da cadeia produtiva: 20% na colheita, 8% no transporte e armazenamento, 15% na indústria de processamento, 1% no varejo e 20% no processamento culinário e hábitos alimentares. Mas o que chega às empresas de Bauru, dentro do possível, é reaproveitado.

Todos os produtos recolhidos pelo Mesa Brasil abastecem 72 instituições assistenciais da cidade que atendem mais de 13 mil pessoas. Além disso, o programa promove ações educativas para conscientizar os assistidos e seus familiares sobre o melhor aproveitamento dos alimentos.

“São ministradas aulas nas entidades e no Sesc e oficinas práticas na Universidade do Sagrado Coração (USC) para transformar essas pessoas em agentes multiplicadores desse conhecimento, para que a semente dessa filosofia seja disseminada”, frisa.

Por ser uma das beneficiadas pelo Programa Mesa Brasil desde o início do projeto, em 2003, a entidade Recuperação e Assistência Cristã (Rasc) consegue manter o nível de atendimento oferecendo cinco refeições diárias às 22 crianças e adolescentes que abriga. “Esse convênio é de grande valia não só para a gente, mas para todas as entidades cadastradas, pois são alimentos de boa qualidade que são entregues na nossa porta, o que nos dá uma grande tranqüilidade”, observa o coordenador João Lunardelli Neto.

A situação enfrentada pela instituição é semelhante à vivida pelo Projeto Colméia, vinculado ao Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac). Por semana, a assistente social Ledair Terezinha Rossetto Cechi calcula que a entidade economize R$ 215,00 através das doações que recebe do programa.

“Aqui, nada se perde. Se sobra alguma fruta, as crianças levam para casa. Se não, aproveitamos para fazer uma torta ou outro prato no dia seguinte. Elas adoram”, comenta. Além de atender 185 crianças e adolescentes, a entidade ainda fornece sopa, uma ver por semana, à toda a comunidade carente da região.

____________________

Reaproveite

O lixo brasileiro é um dos mais ricos do mundo e esse título vergonhoso é de responsabilidade do mau hábito de seus habitantes. Um estudo da Embrapa Agroindústria de Alimentos mostra que só em hortaliças, por exemplo, o total de perda a cada ano é de 37 quilos por habitante, enquanto a ingestão delas não passa dos 35 quilos no mesmo período de tempo.

Toda essa comida desperdiçada equivale a R$ 12 bilhões que o País despeja nas lixeiras a cada ano. Para mudar esse panorama, segundo a professora de nutrição da Universidade do sagrado Coração (USC) Roseli Aparecida Claus Bastos Pereira, basta apenas boa vontade e um pouquinho de dedicação.

Dicas

• Dê preferência às frutas da época, que são mais frescas e duram mais

• Conserve na geladeira as sobras dos alimentos, para que sejam reaproveitadas no dia seguinte

• Lave, seque e armazene frutas, verduras e legumes em recipientes transparentes e vedados

• Sempre que possível, aproveite cascas, folhas e talos, que são muito nutritivos

• Desde pequenas, ensine as crianças a não desperdiçar nenhum alimento.

Comentários

Comentários