O ex-ministro da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é blogueiro assumido, militante permanente e estrategista petista na amarração para a eleição de 2010. Em Bauru desde ontem à tarde, onde participa hoje da caravana estadual em encontro na ITE com a macrorregião, Dirceu vê no ex-ministro Ciro Gomes (PSB) uma boa alternativa para enfrentar os tucanos em São Paulo no próximo ano. Leia abaixo, algumas das impressões de Dirceu em entrevista ao JC:
Jornal da Cidade – O Ciro Gomes pode ser o candidato a governador de São Paulo em 2010 com apoio do PT?
José Dirceu – Veja bem, o PT, até pela força político-eleitoral que tem, já que teve mais de 35% de votos em 2002 e 2006, é um partido que tem todo o direito de ter candidatura própria. Mas não se trata disso. Se trata de reunir em São Paulo os partidos mais próximos ao PT, no caso o PSB, PC do B e o PMDB. Pena que o PMDB tomou decisão legítima, mas de certa maneira o quercismo voltou ao ninho do tucanato, da mesma maneira que os tucanos voltaram para o ninho do carlismo (Antonio Carlos Magalhães) na Bahia. São as alianças que o Serra está fazendo para tentar se eleger presidente da República. O Ciro Gomes é um nome que o PSB começou a discutir como o Doutor Hélio é um nome que o PDT tem discutido. O que espero é que nós discutamos em condições de igualdade com eles. Quais são as hipóteses, quais são as possibilidades. Que o PT esteja aberto também para ouvir e discutir os nomes dos outros partidos.
JC – O PT quer?
Dirceu - A bancada do PT entende o contrário. Quer que tenha candidatura própria e ponto. É opinião legítima, eu respeito. Mas minha opinião já dei. Eu considero que o PT tem de ter uma abertura para discutir com os outros partidos. Nós temos candidatos, o Antonio Pallocci, o Emídio de Souza, Fernando Haddad. A Marta Suplicy e o Aloysio Mercadante são candidatos ao Senado, Câmara. Isso está sendo discutido. Os dois podem ser ao Senado, se for o caso. Mas não são candidatos ao governo de São Paulo. O PT tem de estar aberto a discutir e o PSB está vendo isso com seriedade e o próprio Ciro Gomes já deixou isso indicado. A tendência do PSB, eu acredito, é apoiar a Dilma Rousseff em Brasília e isso vai ser decisivo para a reeleição do Cid Gomes e Eduardo Campos, e para a continuidade também do PSB no Rio Grande do Norte. Na Paraíba também tem apoio decisivo do PT para eventual segundo turno.
JC – Qual o horizonte para o ex-deputado José Dirceu buscar restabelecer a elegibilidade?
Dirceu – Eu tenho direitos políticos. Eu sou inelegível por oito anos além do mandato que terminou em 2007. Minha estratégia é o Supremo Tribunal Federal (STF) me julgar o mais cedo possível. Eu tenho feito tudo que eu posso para o julgamento ser o mais cedo possível. Onde eu fui investigado, sofri inquérito, eu estou absolvido. Não há nada contra mim, inclusive a Receita Federal fez uma devassa na minha vida por 17 meses. Depois do Supremo, aí tem o caminho do Congresso. Se não me absolver, eu vou pedir anistia ao Congresso, sem dúvida nenhuma. Aí eu vou estar liberado. Se o Supremo me absolver em 2010, eu faço em 2010, se em 2011 eu faço em 2011. Depois de 2011, se o STF não me julgar eu vou pedir anistia. Não posso ficar esperando o julgamento também. Mas eu tenho esperança que o Supremo julgue até 2011. O STF tem tomado todas as medidas para que o julgamento aconteça o mais rápido possível.
JC – Prefeito gosta mesmo é de verba a fundo perdido. E por isso a pressão natural em relação ao PAC é que boa parte dos programas é financiamento e para oferecer endividamento às prefeituras não precisa de PAC. Como o senhor vê essas críticas ao PAC, inclusive da oposição?
Dirceu – Em habitação você financia, mas o governo deu R$ 6 bilhões agora para subsidiar os juros das 300 mil casas até três salários mínimos. Então não é fato que é só financiamento. Segundo, no saneamento no mundo todo se paga. Não existe saneamento gratuito. A crítica não procede. O PAC é uma organização de recursos públicos e privados para resolver os principais problemas que o País tem na infra-estrutura econômico e social. É um esforço concentrado, em um período curto de três a cinco anos, para dar um salto de 50 anos em áreas como rodovias, ferrovias e setor energético no País, no petróleo-gás e no saneamento-habitação, e agora na segurança pública, além do programa de território da cidadania, um programa para potencializar ações nas regiões mais pobres do País. É um falsa crítica. Como é impossível criticar o PAC, fala de dinheiro a fundo perdido. Não existe para tudo, existe subsídio, e o governo municipal pode tirar imposto ou dar terreno, como na habitação. Isso é chororô da oposição.