Depois de resistir por três anos e meio, o técnico Muricy Ramalho foi demitido pela diretoria do São Paulo ontem, após a eliminação da quarta Libertadores seguida, diante do Cruzeiro. O time vinha acumulando maus resultados no ano, no Paulista e no Brasileiro. Sua saída foi definida ontem à noite, em reunião entre o presidente Juvenal Juvêncio e o treinador. O dirigente comunicou ao técnico que acabara o seu ciclo no clube. Antes, ele treinara o time à tarde.
A intenção de Muricy era permanecer no São Paulo: pretendia cumprir seu contrato até o final em 2010. Agora, segundo insinuou ontem, quer tirar férias, sem voltar ao futebol imediatamente. Após a queda no torneio sul-americano, boa parte da diretoria são-paulina começou a pressionar Juvenal, exigindo a saída do técnico. Alguns já vinham pedindo sua demissão, enquanto outros ficaram irritados com a eliminação.
Tanto que, pressionado, o presidente manteve-se calado durante o dia inteiro. Não apareceu no CT para o treino dos profissionais e deixou em aberto perguntas sobre o tema feitas à assessoria de imprensa. Essa corrente da diretoria defendia que o técnico não tinha conseguido dar padrão de jogo ao time. Além disso, argumentava que ele está desgastado com os jogadores, que não vinham mais se esforçando sob seu comando na equipe.
Há uma lista de descontentes no ano: Washington, Borges, Dagoberto e André Lima já protestaram contra a reserva. O primeiro chegou a ir até o estacionamento do estádio, anteontem, para ir embora antes do final do jogo. Voltou em seguida ao vestiário, avisado de que poderia ser sorteado ao antidoping. Segundo a diretoria, não houve problema disciplinar.
Outro desgastado é o volante Hernanes. Barrado por Muricy, foi hostilizado pela torcida durante e após o jogo. Ontem, cabisbaixo e de fisionomia fechada, treinou com aqueles que jogaram meio tempo. O clima tenso do clube começava na portaria. A diretoria reforçou a segurança nos portões e muros do CT para evitar novas pichações, como as da madrugada de ontem.
Hoje, pela manhã, haverá novo dia tenso no clube. Juvenal Juvêncio e Muricy estarão no CT do São Paulo para explicar as razões da saída do treinador. Na segunda-feira, haverá uma discussão do valor a ser pago ao treinador por sua rescisão. Embora não exista uma multa, há valores a serem quitados com o treinador. Entre eles, estão a rescisão pela legislação trabalhista, que inclui um salário. Além disso, há uma premiação pelo Brasileiro do ano passado e também luvas, que ainda seriam quitadas durante o contrato. Na atual passagem, Muricy completou 252 jogos pelo São Paulo. No total, dirigiu o clube por 359 partidas.