Geral

‘Faço tudo com amor, por isso dá certo’

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Luzia Stábile dos Santos faz responso desde o início da adolescência, quando tinha apenas 12 anos. Ninguém a ensinou a arte de encontrar objetos perdidos. Ela diz ter aprendido lendo um livro que comprou de uma benzedeira de São Carlos. Na época, a família morava em Tabatinga. De lá, ela se mudou para Bariri, onde está até hoje. Além de responso, ela também faz benzimentos. Tudo gratuitamente. Segundo Luzia, esse é o segredo do “sucesso”, ou seja, atender as pessoas sem querer nada em troca. “Faço tudo com amor, por isso dá certo”, acredita ela. “Tudo que peço a Deus, ele me atende.”

Luzia diz que sua recompensa é ver as pessoas felizes. Ela conta que, às vezes, pessoas que alcançaram alguma graça por intermédio das orações dela voltam para agradecer e levam presentes. “Mas não peço nada”, afirma. Luzia conta que já ajudou a encontrar carteira de trabalho que havia sumido, caixa de perfume, aliança, dinheiro e muitos objetos que existem dentro de casa.

Para isso, ela recorre a Santo Antônio e Santa Marta. Graças a esses dois santos, Luzia declara que, até hoje, nenhum objeto continuou perdido após as orações feitas por ela. “Alguns objetos demoram a ser encontrados, mas um dia o dono acha”, diz ela. A única exigência que Luzia faz às pessoas que lhe procuram é avisar quanto elas têm o pedido atendido. Isso porque ela tem por costume agradecer aos santos pela graça alcançada.

Falta de interesse

Na opinião de Laura (nome fictício), uma senhora de 71 anos que faz responso há mais de 50 anos e pediu para ter a identidade preservada, essa prática tende a desaparecer em pouco tempo. Segundo ela, os jovens não dão importância a esse tipo de coisa, como ocorria antigamente. Ela lembra que era costume entre as pessoas que tinham esse “dom” de achar coisas perdidas ou de fazer benzimentos passar o conhecimento para os mais novos. E os mais novos mostravam interesse em aprender, algo que não está mais acontecendo, segundo ela. Os jovens de hoje, opina, estão mais preocupados com o mundo material do que com o espiritual, mesmo em cidades pequenas onde essas crenças são mais comuns.

Laura garante que as orações funcionam e vê com muita tristeza essa possibilidade de elas desaparecerem do cotidiano das famílias brasileiras. “Coisas como essas, que só servem para fazer o bem às pessoas, deveriam ser preservadas”, opina ela. Laura justifica seu pedido para preservar a identidade com o argumento de que já está numa idade avançada e não tem mais tanto tempo e condições físicas de atender aos muitos pedidos que chegavam a ela diariamente.

Ela diz que ainda continua praticando o responso, mas para um grupo bem restrito de pessoas, especialmente para os que são da família. “Se outros souberem que ainda faço isso, vão recorrer a mim desesperados, em busca de ajuda, e não vou ter como dizer não, nem posso fazer isso. Mas não tenho mais condições físicas de atender a todos que me procuram”, explica.

Segundo Laura, hoje ela precisa fazer repouso em determinados momentos do dia. Algo que seria impossível se voltasse a abrir sua casa para todos os pedidos de ajuda. “A demanda é grande. Por isso, lamento que os mais jovens não estejam dando tanta importância para esse trabalho voltado a fazer o bem ao próximo”, frisa.

Comentários

Comentários