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Preconceito

José Maria Cancelliero
| Tempo de leitura: 2 min

É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Há tempos Einstein chegou a esta conclusão e, ainda hoje, esta penúria moral sobrevive atado à ignorância, à violência e à intolerância. Em nossa sociedade míope, o preconceito se mexe como um caleidoscópio, ora explícito e amargo como uma suástica, ora adocicado, incutido sutilmente na TV, camuflado como piadas de duplo sentido, bem aceito mas jamais contestado.

Disfarçado ou não, está lá o preconceito julgando as pessoas pela raça, pela cor da pele, pela opção sexual, pela idade ou pela situação financeira. Move com sarcasmo a mão da injustiça apoiado, unicamente, nas aparências e empatias. A sociedade brasileira não foi criada para olhá-lo de frente e, por isso, instituiu uma forma tênue de poder maquiar a exclusão, a intolerância racial e a homofobia. Mesmo de forma velada, o velho conceito que “ brasileiro assume o mito da democracia racial e fecha os olhos para a intransigência”, permanece inflexível, de um jeito irretocável. O fato é que, em todo o mundo, as vítimas do preconceito começam a cobrar atitudes lógicas dos gestores e das comunidades, para que a discriminação, seja qual for, não possa mais ser tolerada.

Com certo constrangimento, o Brasil se vê refletido no resultado de um estudo inédito, feito em 501 escolas públicas - com educadores, pais, alunos e funcionários – que revela a força da intolerância do seu povo. Nada menos que 99,3% dos entrevistados admitem ter algum tipo de preconceito. Um número vexatório para um País que visa chegar ao desenvolvimento de primeiro mundo com civilidade igualitária, democracia e dignidade.

Entretanto, como diz o provérbio chinês: “Procuremos acender uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão” - esta pesquisa foi realizada a fim de criar mecanismos que façam com que a educação brasileira comece a promover a diversidade, a tolerância, e o respeito às diferenças. O problema foi detectado na escola, no seio de cada família. Da escola, certamente, virá a solução. Que os profissionais da educação possam ser valorizados à altura da responsabilidade que têm nesta empreitada, e que possam capacitar uma nova geração de estudantes para construir um país igualitário, com mais justiça, inclusão e paz, para todos nós, brasileiros.

O autor, José Maria Cancelliero, é professor e supervisor de Ensino, presidente do Centro do Professorado Paulista - CPP

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