Se entrar com celular está difícil, o jeito é tentar pelo ar. Só neste ano os agentes prisionais do Estado detectaram cinco casos de presos que tentaram usar pombos comuns como se fossem pombos-correio. O primeiro caso ocorreu em Casa Branca e o último, na Penitenciária de Hortolândia, perto de Campinas. "Lá em Casa Branca acharam o pombo morto com uma sacolinha com uma placa de celular dentro dela", afirmou José Reinaldo da Silva, coordenador do presídios da região central do Estado.
Ate então nenhum pombo havia sido usado na tentativa de fazer entrar celular ou droga em presídio. Outros casos se sucederam na Penitenciária de Marília e nas cadeias de Sorocaba. Em uma delas, uma visita foi surpreendida tentando sair da prisão com dois pombos. As aves estavam amarradas dentro de um saco plástico escondido em uma caixa.
Em Sorocaba, dois pombos foram capturados pelos agentes em março e a direção de um dos presídios decidiu instalar uma tela de proteção em cima do pátio da cadeia, evitando não só o pouso dos pombos, mas também dificultando o lançamento de outros objetos por cima da muralha da penitenciária.
"É comum pombos viverem em telhados de presídios", afirmou Silva. Além de pombos, os presos também estão usando pipas e até o aeromodelo de um helicóptero - os bandidos treinaram dois meses para dirigir o aparelho, mas foram apanhados quando se preparavam para fazê-lo pousar dentro da penitenciária.
Segundo o presidente da Federação Columbófila Brasileira, Márcio Mattos Borges de Oliveira, o peso de um celular é muito maior do que o suportado por um pombo-correio. "A ave tem de 300 a 400 gramas e não consegue voar carregando 100 gramas. Muito menos os pombos comuns", disse. No caso dos presídios, os pombos usados pelos detentos são muito diferentes dos pombos-correio. "É como comparar um pangaré com um puro-sangue", disse.
Segundo ele, há pombos capazes de transportar mensagens de um, dois gramas. Mas seria realmente preciso que ele fosse criado dentro do presídio e levado para fora por uma visita a fim de que, quando solto, voltasse para o criador. No Estado existem 100 criadores de pombos-correio; e cerca de 700 no País.