São tantas as definições e tentativas de explicações por parte de filósofos e de poetas desse sentimento ímpar que é a principal razão de viver e se sentir vivo que não sei mesmo a qual delas me apegar. Só sei que “prova de amor maior não há que doar a vida ao seu irmão”. Se uma pessoa for capaz de dedicar sua vida a outrem, isso é a prova de que ama plenamente essa pessoa à qual passa a dedicar sua vida. Daí surgem então as mais diversificadas formas de amor: materno, fraterno, que pressupõem laços de sangue, mas nem sempre é assim, pois, muitas vezes, ama-se mais um filho adotivo, um amigo, que um irmão, porque insondáveis são os caminhos do amor.
Ao longo de uma vida temos constatado grandes amores que vicejaram em situações incríveis e totalmente inaceitáveis para o senso comum como aquele visto no antigo filme “Em cada coração um pecado”, que teve no elenco um ex-presidente americano e mostrava o amor pecaminoso de um pai por sua própria filha. No Brasil, a literatura fala de um poeta paulista que se suicidou por ter se apaixonado também pela própria filha. Há o caso daquelas duas velhinhas, que há mais de 40 anos uma delas abandonou marido e filho pequeno e foi viver com a amiga solteira. Ainda hoje estão juntas. Como aquela bancária noiva de um bom rapaz, com casamento marcado e apartamento alugado, além de grandes planos para o futuro, que foi promovida e removida para São Paulo. Lá conheceu a colega pela qual se apaixonou perdidamente e desmanchou noivado. Com ela foi viver e já há um bom tempo estão juntas.
Muitos outros estranhos casos existem, não só nas novelas ou nos romances e best-sellers sensacionalistas, mas na vida real, muitas vezes, até bem perto de nós, como aqueles respeitáveis cavalheiros, eficientes profissionais e de comportamento social de alto nível, bem aceitos pela sociedade, que viveram maritalmente e adotaram filhos.
Há ainda o caso de dois irmãos que juntos viveram a vida inteira. Contam que até dormiam juntos na mesma cama de casal. Existem ainda amores tão fortes e tão duradouros, que sem nenhum tipo de envolvimento sexual, sem manifestação do tipo “pele com pele”, que duram toda uma vida, sempre profundo, leal e incontestável, como inexplicável também é a escolha, a eleição por toda uma vida de uma pessoa e só ela, só aquela e nenhuma outra, mesmo sofrendo críticas por contrariar leis e costumes.
A autora, Isolina Bresolin Vianna, é titular da Cadeira 12 da Academia Bauruense de Letras