Ao assumir o cargo amanhã, o técnico Ricardo Gomes terá um grande problema para resolver, antes mesmo da sua partida de estréia, sábado, contra o Náutico, pelo Campeonato Brasileiro: definir a situação do atacante Washington, contratação mais comemorada no São Paulo no início da temporada. O jogador foi barrado na derrota por 3 a 1 para o Corinthians, no último domingo, e vive situação adversa no Morumbi. Teve de ouvir vaias e xingamentos da torcida na eliminação da Libertadores diante do Cruzeiro e não mantém bom relacionamento com Borges e Dagoberto, seus companheiros de ataque.
O técnico interino Milton Cruz disse que deixar Washington fora do clássico de domingo foi uma decisão da comissão técnica ainda quando Muricy Ramalho estava no comando. “Eu, o Muricy e o Tata (auxiliar que também deixou a comissão técnica do São Paulo na última sexta-feira) conversamos e decidimos que seria melhor para o Washington descansar nessa rodada”, contou Milton Cruz.
Mas o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, explicou que a ausência dele no clássico era uma forma de poupar o jogador da ira do torcedor, inconformado com a eliminação na Libertadores. Ninguém no clube mencionou, mas Washington também faria seu sétimo jogo no Brasileirão, o que impossibilitaria sua transferência para outro time que disputa o campeonato.
Dispensar Washington não está descartado pela diretoria do São Paulo. “Ele não tem nenhuma proposta, mas vai depender de uma avaliação do novo treinador”, explicou Juvenal Juvêncio, passando o problema justamente para Ricardo Gomes, que ainda nem assumiu o comando do time e já tem que lidar com essa crise.
Washington estava insatisfeito com Muricy. No início da temporada, o técnico havia elevado o jogador à condição de titular absoluto - para desgosto de Dagoberto e Borges, atacantes do título brasileiro. Mas ele foi tirado de campo no começo do segundo tempo do jogo contra o Avaí e no intervalo diante do Cruzeiro. Ficou furioso e chegou a sofrer uma reprimenda.
Assim, se continuar insatisfeito, sua permanência no Morumbi está seriamente ameaçada. “Essas reclamações não podem acontecer, não está certo”, avisou Juvenal Juvêncio. Colabora também para a saída do centroavante seu alto salário - o segundo maior do elenco são-paulino, só abaixo do goleiro e capitão Rogério Ceni. A diretoria já questiona o investimento, que ainda não deu retorno.