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Unesp desenvolve software que acha ‘gatos’ de energia

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Engana-se quem pensa que os “gatos” de energia elétrica ocorrem apenas nas periferias das cidades. Um levantamento realizado por um grupo de pesquisadores do Laboratório de Sistemas de Potências e Técnicas Inteligentes, da Faculdade de Engenharia, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), coordenado pelo professor André Nunes de Souza, mostra que grandes consumidores dos setores industrial e comercial também furtam energia. Com o objetivo de facilitar o trabalho de identificação das ligações de energia elétrica irregular, a equipe da universidade desenvolveu um software (programa de computador) inteligente que facilita o encontro dos “gatos”.

Na região de Bauru, entre janeiro e maio deste ano, a CPFL Paulista suspeitou de 5.741 irregularidades em ligações de energia. Todas foram inspecionadas das quais 873 irregularidades foram confirmadas, o que representa 15,2% do total. Souza explica que, se a CPFL, usasse o software, o serviço seria mais rápido e simples. O sistema, segundo ele, identifica 85% dos casos de “gatos” com exatidão - o resultado foi obtido em Manaus (AM), onde foi testado pela concessionária de energia elétrica do Estado.

Em Manaus, o trabalho foi desenvolvido durante um ano e custou R$ 266 mil, financiados pela concessionária de energia elétrica do Estado após o projeto do software ter sido aprovado pela Agência de Energia Elétrica (Aneel). Agora, a Unesp busca patrocínio para a segunda etapa do projeto.

O furto de energia pode ser feito de duas formas: conecção clandestina ao sistema elétrico e fraude na medição do consumo através da manipulação dos equipamentos.

O software desenvolvido pela Unesp identificou o “DNA” do fraudador por meio de um levantamento de consumo de energia nos últimos 10 anos. “Por meio de uma planilha de consumo, que identifica as variáveis técnicas, elétricas e econômicas, o sistema consegue rastrear o consumo clandestino. Por meio destes resultados, criamos, em um primeiro momento, o DNA do fraudador. Nossa idéia é diminuir o número de inspeções, ter certeza de quem é fraudador de energia elétrica”, explica Souza.

Conta

Segundo dados na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as concessionárias chegam a ter R$ 3,7 bilhões de prejuízos por ano com furto de energia.

O valor corresponde à perda de 4,75% do faturamento, prejuízo que não é arcado só pela concessionário de energia já que, no ajuste tarifário, feito anualmente, a agência autoriza o repasse de parte das perdas com furtos para a conta de todos os consumidores.

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Furtos de energia causam prejuízo

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Acende Brasil, em outubro do ano passado, aponta que o consumo clandestino de energia elétrica, conhecido como “gato”, causa prejuízo de até R$ 5 bilhões às concessionárias brasileiras de energia elétrica, que deixam de arrecadar mais de R$ 1 bilhão devido à inadimplência. A energia elétrica consumida clandestinamente representa, em média 5%, do total adquirido pelas distribuidoras para atender à população no País.

A CPFL Paulista, que fornece energia a 234 municípios no Interior do Estado de São Paulo, incluindo Bauru, realizou 300 mil inspeções no ano passado e constatou15 mil fraudes, segundo a advogada Elaine Vieira, coordenadora do Vinhas.

De acordo com a assessoria de imprensa da CPFL, as inspeções são realizadas diariamente. Quando é encontrada alguma suspeita de fraude, o inspetor da companhia emite o Termo de Ocorrência de Irregularidade (TOI) além de outros procedimentos necessários para caracterização do furto de energia, como fotografar, recolher os selos ou lacres encontrados e, se necessário, solicitar o serviço de perícia técnica à Secretaria de Segurança Pública.

Nesses casos, os medidores são retirados e preservados em invólucros até o encerramento do processo administrativo interno. O cliente é notificado por carta sobre as suspeitas de irregularidades encontradas e convocado a apresentar defesa.

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