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Campeonato Brasileiro: Com clima ‘pesado’, Gomes chega hoje

Marcius Azevedo
| Tempo de leitura: 3 min

Nenhum sorriso, entrevistas que pareciam ensaiadas e muita apreensão. Assim foi o dia do São Paulo ontem. E os próximos não devem ser muito diferentes. O clima está pesado depois da quarta eliminação consecutiva da Libertadores e da demissão do técnico Muricy Ramalho.

A Independente, principal torcida organizada do clube, promete ir ao CT hoje, quando acontece a apresentação oficial do novo treinador, Ricardo Gomes. “O intuito é cobrar raça, determinação, vontade e principalmente amor à camisa”, diz o comunicado. A torcida organizada promete até ônibus gratuito para levar os torcedores ao CT são-paulino. Mas ontem mesmo, temendo eventuais protestos, os dirigentes do São Paulo já reforçaram o esquema de segurança do local.

Uma corrente foi colocada antes do portão de entrada do CT, para uma primeira abordagem pelos três seguranças do clube - ontem, só jogadores, funcionários e jornalistas podiam passar pelo local. A diretoria ainda contratou ao menos dez seguranças particulares.

Para completar, o São Paulo enviou um ofício à Polícia Militar dizendo de seu temor. Assim, uma viatura com cinco policiais ficou estacionada no CT do vizinho e rival Palmeiras. “Nunca se sabe o que os torcedores podem fazer”, disse um dos seguranças.

Os jogadores sabem que o clima não é bom, mas pediram um voto de confiança. “O torcedor tem todo o direito de protestar, mas acho que é o momento deles apoiarem o time”, pediu o atacante Borges.

O discurso de Borges parecia ensaiado. Ele repetiu muitas vezes que o ambiente no clube era bom, que não existia qualquer problema de relacionamento com Washington ou qualquer outro companheiro. E também disse que o time iria conseguir dar a volta por cima. “É na derrota que você mostra que tem coragem. Aqui tem um grupo de homens, não há jogador mau caráter ou que foi problema em algum outro clube. Por isso estou aqui dizendo que a gente vai superar este momento”, avisou Borges.

Washington não fugiu muito do discurso do colega, mas admitiu que os jogadores precisam assumir sua parcela de culpa para dar certo. “O time precisa ajudar o Ricardo Gomes (novo técnico) a ser feliz”, afirmou o atacante. “A gente precisa ficar ainda mais unido neste momento.”

Borges quer renovar

O atacante Borges negou ontem ter recebido uma oferta do Palmeiras. Segundo ele, o São Paulo tem prioridade na renovação de contrato, que vence no final deste ano. “O presidente (Juvenal Juvêncio) me procurou para falar disso e pedi para ele tratar com o meu empresário (Juan Figer), mas pelo que sei eles ainda não falaram de valores”, disse o jogador, que a partir de 1º de julho poderá assinar um pré-contrato com outro clube. “Não tenho nenhuma proposta. Meu foco é aqui.”

Washington fica

Nem bem Muricy Ramalho deixou o São Paulo e o atacante Washington já aproveitou para criticar indiretamente o treinador. Ele reclamou da maneira com que era escalado pelo antigo comandante são-paulino. Washington prefere jogar fixo dentro da área, como referência para os colegas de time. Mas ele precisava se revezar com Borges nesta função, o que o deixava, muitas vezes, de costas para os zagueiros.

“Quando você briga com os zagueiros, joga de costas para o gol e não tem nenhuma chance, é outra situação. Não dá para fazer milagre”, reclamou. O atacante também desmentiu problema de relacionamento no elenco e avisou que fica até dezembro, quando vence seu contrato.

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