Internacional

Conselho não anulará eleição no Irã


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Teerã - Em meio aos primeiros sinais de desgaste dos protestos oposicionistas, o governo iraniano rejeitou ontem as denúncias de fraude apresentadas pelo reformista Mir Hossein Mousavi contra a reeleição do ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad. A decisão enterrou formalmente as chances de um novo pleito. “Felizmente, nestas eleições presidenciais não encontramos traços de fraude maciça. Não houve violações graves. Portanto, não há possibilidade de se anular o pleito”, disse um porta-voz do Conselho de Guardiães, máxima instância constitucional.

O porta-voz disse que o resultado da apuração aleatória de 10% das urnas, exigida por Mousavi e pelo também reformista Mehdi Karubi, será anunciado hoje Pressionado pelas acusações de fraude, o conselho admitira a existência de irregularidades em alguns distritos. O órgão disse que o número de votos afetados poderia chegar a 3 milhões (cerca de 8% do total), o que não seria, segundo ele, suficiente para alterar o resultado final da votação. A apuração oficial indicou diferença de mais de 11 milhões de votos a favor de Ahmadinejad.

O governo afirmou que a posse do novo governo ocorrerá entre 26 de julho e 19 de agosto. Num gesto tido como simbólico, o conselho obteve aval do líder supremo, Ali Khamenei, para dar mais cinco dias aos três candidatos derrotados para que apresentem novas queixas contra o pleito - até agora houve 646 denúncias.

Mousavi, que ficou com 33% - contra 62,7% do presidente -, contesta a apuração e promete divulgar nos próximos dias um relatório completo sobre supostas irregularidades.

A insistência de Mousavi ameaça irritar ainda mais o governo, que instou hoje novamente o reformista a “respeitar os votos e a lei”. Autoridades iranianas também anunciaram ontem que ensinarão “uma lição exemplar” aos manifestantes presos pelos distúrbios dos últimos dias. O aviso sinaliza que as centenas de detidos - o número preciso é desconhecido - serão julgados de maneira implacável pelo tribunal especial recém-criado pelo governo. Não estava claro se os dois jornalistas estrangeiros detidos - um grego e um canadense - serão julgados pelo tribunal.

Após dez dias de manifestações que deixaram ao menos 17 mortos e dezenas de feridos, as ruas das principais cidades iranianas permaneceram calmas.

Os últimos protestos em Teerã já sinalizavam um arrefecimento. Ontem, cerca de mil pessoas atenderam à convocação de Mousavi e foram às ruas.

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